A Braskem registrou um lucro líquido de R$ 3,3 bilhões (US$ 664 milhões) no segundo trimestre deste ano, superior ao primeiro semestre. O aumento se dá em função, principalmente, do aumento do lucro bruto em função dos maiores spreads - ou seja, a diferença entre dois preços, taxas ou valores em uma transação - químicos e petroquímicos no mercado internacional. Os resultados foram divulgados em coletiva de imprensa nesta sexta-feira.
Na avaliação do CEO da Braskem, Helcio Tokeshi, o segundo trimestre foi positivo do ponto de vista operacional, com a presença global e a captação de resultados da empresa. No entanto, considerou o contexto adverso da petroquímica e a necessidade da ne uma reestruturação financeira.
Ele também pontuou que o trimestre foi caracterizado por uma alta volatilidade nos produtos especialmente nos spreads internacionais do setor petroquímico. Foi destacado, ainda, que a disrupção nos fluxos comerciais, especialmente envolvendo nafta e petroquímicos do oriente médio para a ásia, reduziu a disponibilidade regional e elevou preços e spreads de produtos químicos e resinas.
A companhia registrou EBITDA consolidado de R$ 5.253 bilhões (US$ 1.043 bilhão). O resultado foi impulsionado, principalmente, em função dos aumentos dos spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional, combinado com as capturas comerciais realizadas pela companhia.
Na avaliação do CFO da Braskem, Carlos Brandão, o cenário macroeconômico global permaneceu volátil em razão do conflito no Oriente Médio, restringindo a oferta de matérias-primas globalmente, principalmente para a Ásia. Consequentemente, essa combinação de fatores elevou os preços de petróleo e da nafta no mercado internacional, principal matéria-prima da companhia.
No período, houve um consumo líquido de caixa de aproximadamente US$ 15 milhões em razão, principalmente, da variação negativa do capital de giro explicada, principalmente, pela alta volatilidade dos preços de matérias-primas nos mercados internacionais e pelo maior volume de estoques no período.
Endividamento
No final de junho, o saldo da dívida bruta corporativa era de US$ 10,4 bilhões. A companhia encerrou o trimestre com o saldo de dívida líquida ajustada de US$ 9,5 bilhões, um aumento de 3% em relação ao trimestre anterior. A alavancagem corporativa da empresa encerrou o trimestre em 6,74x (dívida líquida/EBITDA).
Reestruturação com credores
A companhia também pontuou que, ao longo do segundo trimestre, seguiu interagindo com os credores e seus assessores jurídicos e financeiros, tendo recebido propostas meramente indicativas e não vinculantes de grupos de credores sobre as principais condições e parâmetros tentativos para uma potencial reestruturação. Brandão destacou que o processo de negociações com os credores está avançando positivamente.
Alagoas
Até 30 de junho, o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF) registrou que já haviam sido realocados 99,9% dos moradores do total de imóveis residenciais, comerciais e mistos em Alagoas. Das 19.205 propostas apresentadas (99,9% do total), foram aceitas 19.140 propostas de compensação financeira (99,7% do total) e foram pagas 19.132 (99,7% do total), representando mais de R$ 4,2 bilhões desembolsados a título de compensações financeiras, auxílios temporários e honorários advocatícios.
Nas frentes técnicas e urbanísticas, o plano de fechamento de cavidades de sal avançou com oito cavidades totalmente preenchidas e seis tendo atingido o limite técnico de preenchimento. Das 11 obras de mobilidade urbana planejadas no âmbito das medidas sócio urbanísticas, sete já foram concluídas e entregues à população, enquanto duas seguem em execução e as outras duas em fase de planejamento.
Desafios
Para Tokeshi, os principais desafios da companhia estão voltados à alta volatilidade, à incerteza do futuro e à ambiguidade. Entre os principais fatores, está o prolongamento da guerra do Oriente Médio, que traz um cenário incerto para a indústria. Ele destacou, também, os desafios de estruturar a capacidade da China de fazer investimentos e aumentar produção de petroquímicos.