Economia

Exigências do MPF para o Projeto Natureza são inéditas e impossíveis de serem feitas, diz diretor da CMPC

Antonio Lacerda foi palestrante na reunião-almoço Tá Na Mesa, da Federasul

Antônio Lacerda, diretor geral da CMPC, falou sobre superar entraves no desenvolvimento gaúcho, no Tá na Mesa da Federasul.
Antônio Lacerda, diretor geral da CMPC, falou sobre superar entraves no desenvolvimento gaúcho, no Tá na Mesa da Federasul. Foto : Alina Souza

O diretor-geral de Celulose da CMPC, Antonio Lacerda, projeta obter a licença ambiental da unidade industrial do Projeto Natureza, que prevê a construção de uma nova planta industrial em Barra do Ribeiro, na região Metropolitana de Porto Alegre. Com investimento de R$ 27 bilhões, é considerado o maior investimento privado da história do Estado, e o executivo da empresa chilena projeta que, na segunda metade de 2029, a planta já esteja operando. Lacerda afirmou as exigências do Ministério Público Federal (MPF) para a implementação da unidade são “impossíveis” de cumprir. Ele palestrou na reunião-almoço Tá Na Mesa, evento promovido pela Federasul, nesta quarta-feira.

O órgão ajuizou uma ação civil pública, alegando que o rito de licenciamento avançou sem a ocorrência de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) das comunidades de pescadores artesanais, indígenas e quilombolas, uma exigência da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Eles querem que a gente faça um processo de consulta livre, prévia e informada em mais de 130 comunidades de várias etnias na metade Sul do Rio Grande do Sul e mais 7 mil pescadores com poder de veto”, disse o executivo.

Lacerda reforçou que não há nenhum tipo de aceleração do processo. "Estamos seguindo estritamente o que diz a lei, o órgão regulador [Fepam] e os outros órgãos que precisam dar a sua anuência para que a licença seja emitida". O executivo ainda comentou que quem determina qual é a área de influência direta de um empreendimento não seria o MPF, mas os órgãos técnicos designados para isso, ou seja, a Funai e a Fepam. “O Ministério Público Federal, no nosso entender, está extrapolando as suas atribuições. Eles estão entrando em uma Seara técnica que não é deles”.

O processo enfrentado, segundo o executivo, traz riscos para a janela de oportunidades do investimento, que seria no começo de 2027. "Se a gente não aprovar o projeto e iniciar até o começo do ano que vem, outra empresa entra nessa janela, e aí não tem espaço no mercado para nós, pelo menos por dois, três, cinco anos. Então, é possível que a empresa decida não fazer o investimento". Questionado, ele reforçou que a primeira, segunda e terceira opção da implementação do projeto é no Rio Grande do Sul.

Lacerda destacou que o próprio governo federal está empenhado em apoiar o projeto e o licenciamento por parte da Fepam. Nas últimas semanas, o executivo já realizou reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) Márcio Elias Rosa, além do presidente da Advocacia-geral da União, Jorge Messias, e ressaltou que todos afirmam que o processo de ação civil pública abre precedentes para afetar investimentos não apenas no Rio Grande do Sul, mas no Brasil. “Traz consequências desastrosas para outros investimentos”, acrescentou.

O projeto também ganha apoio no Legislativo. Foram 53 dos 55 deputados a assinarem uma carta de apoio ao projeto. O governador Eduardo Leite também demonstrou apoio ao projeto. Na última semana, em um ato a favor da unidade, disse que o governo do Estado está respeitando a legislação no processo de licenciamento. “Não trabalho com hipótese de perdermos este investimento”, declarou o governador.

Até o momento, já foram investidos 400 milhões de dólares no projeto. A unidade prevê a capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto. Somada à produção da unidade de Guaíba, a operação poderá se aproximar de 5 milhões de toneladas por ano.

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