Economia

FMI cobra supervisão estrita e cooperação internacional de bancos centrais sobre uso de IA

Avanço da tecnologia no crédito e no mercado de capitais exige reforço na governança de bancos centrais e atenção a falhas operacionais e ciberataques, alerta o Fundo

FMI recomenda a realização de exercícios sistêmicos simulando cenários com IA, o estabelecimento de padrões regulatórios mais rigorosos e o compartilhamento global de informações
FMI recomenda a realização de exercícios sistêmicos simulando cenários com IA, o estabelecimento de padrões regulatórios mais rigorosos e o compartilhamento global de informações Foto : Olivier Douliery / AFP / CP

Os bancos centrais precisam reforçar a supervisão e a governança do uso da inteligência artificial (IA), aumentar a transparência de suas aplicações e ampliar a cooperação internacional em resiliência operacional e cibersegurança. O alerta foi publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu blog oficial nesta quinta-feira (23).

"Com a IA incorporada à arquitetura de decisões do sistema, Bancos Centrais e supervisores passam a ter papel central para garantir que o uso dessas tecnologias reforce, e não fragilize, a estabilidade financeira", pontua o FMI.

Benefícios no cotidiano e riscos em momentos de crise

Nos mercados de capitais, modelos de machine learning geram sinais de alta frequência e ferramentas generativas processam dados em tempo real, aumentando a fluidez dos negócios. No segmento de crédito, a IA expande os dados utilizados para análise de risco e aprimora a detecção de fraudes.

Contudo, o FMI pondera que esses ganhos ocorrem em condições normais de temperatura e pressão. Sob estresse financeiro, a opacidade dos modelos de IA dificulta a explicação sobre o comportamento de certas estratégias, o que compromete a capacidade de reguladores detectarem riscos emergentes e diagnosticarem disrupções no mercado.

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Concentração de infraestrutura e cibersegurança

Na infraestrutura financeira, a IA auxilia em rotinas operacionais e permite que bolsas e sistemas de pagamento monitorem anomalias. Segundo a instituição, o principal risco está na concentração de serviços críticos em poucos provedores de nuvem, dados e modelos — dependência que pode gerar falhas sistêmicas encadeadas.

Além disso, a IA generativa amplia o alcance e a sofisticação de ciberataques, transformando a resiliência digital em um tema de relevância macrofinanceira.

Recomendações do Fundo

Para mitigar os impactos, o FMI recomenda a realização de exercícios sistêmicos simulando cenários com IA, o estabelecimento de padrões regulatórios mais rigorosos e o compartilhamento global de informações. O órgão conclui que a estabilidade do sistema dependerá menos dos modelos tecnológicos e mais das regras, incentivos e salvaguardas definidos pelos bancos centrais.

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