Fórum de Energias Renováveis

Inclusão social, redução de emissões e segurança jurídica: as rotas para a transição energética justa

Painel de encerramento do 6º Fórum de Energias Renováveis debateu processo de transição de energia de baixo carbono

Debate encerrou o evento no Teatro CIEE-RS Banrisul
Debate encerrou o evento no Teatro CIEE-RS Banrisul Foto : Alina Souza

O processo de transição de energia de baixo carbono, com foco na viabilização de investimentos e no acesso amplo às matrizes energéticas, exige um olhar para a inclusão social, a redução de emissões e a segurança jurídica. Os pontos foram debatidos ao longo do painel que encerrou a programação do 6º Fórum de Energias Renováveis, evento promovido pelo Correio do Povo em parceria com o Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), que ocorreu nesta terça-feira no Teatro CIEE-RS Banrisul, em Porto Alegre.

O painel contou com a participação de Renato Chagas, diretor-presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (Fepam); Cristiano Weber, vice-coordenador do Comitê da Indústria Mineral (Comin) da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs); e Rafael Valverde, CEO da desenvolvedora de projetos de energia renovável Sowitec Brasil. A mediação foi de Tiago Pereira, executivo do Conselho de Meio Ambiente da Fiergs.

Ele destacou a importância de discutir estratégias e o papel efetivo dos órgãos públicos e das empresas privadas na discussão da transição energética, especialmente sobre aspectos de desenvolvimento tecnológico. Para ele, é importante pensar no desenvolvimento de tecnologias para uma indústria de baixo carbono, como também nos arranjos econômicos e produtivos locais, especialmente, pensando nos impactos sociais.

A transição energética justa é, hoje, um pilar para o desenvolvimento, ressaltou Valverde. No caso do RS, acrescenta-se o componente da resiliência climática, com necessidade de estratégias para migrar parte de sua matriz para uma mais descarbonizada, sem perder, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das regiões carboníferas, historicamente relacionadas a esse segmento. "A descarbonização surge para o Rio Grande do Sul como parte importante dessa estratégia de redução do aquecimento global, de melhorar a questão de resistência às mudanças climáticas, junto com um trabalho de resiliência.”

O Estado não sofre apenas com chuvas intensas, mas também com longos períodos de estiagem, que se intensificaram nos últimos 20 anos. O executivo reforçou a importância de pensar em soluções para democratizar o desenvolvimento, de maneira que todos possam se beneficiar com uma matriz produtiva limpa, e que possa gerar desenvolvimento local, oportunidade de emprego, fomento ao mercado e energia mais barata à população.

O painel também contou com falas do diretor da Fepam, que tratou da situação do ambiente regulatório para a utilização de energias renováveis com segurança jurídica. Entre as ações, ele destacou a Portaria 592 de 2026, que trata da obrigatoriedade de apresentação dos inventários de gases do efeito estufa para as tipologias de indústria com maior potencial de geração de energia.

Ainda, falou o vice-coordenador do Comin/Fiergs, sobre a presença da mineração no Rio Grande do Sul e da visão do setor para a transição energética justa, que envolve estratégias de mitigação de gases e um processo gradual de transição para evitar prejuízos. Ele destacou o desafio global de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e reorganizar os sistemas de produção e consumo de energia, em meio à dependência dos combustíveis em diferentes matrizes.

O Fórum de Energias Renováveis é realizado pelo Correio do Povo e pelo Sindienergia-RS. O evento conta com patrocínio de Corsan, BRDE, Senar, Sulgás e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, além do apoio do CIEE-RS.

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