O Rio Grande do Sul enfrenta um paradoxo: embora seja um polo de geração, o Estado ainda é um importador de energia, o que gera um déficit que trava o crescimento econômico e a atração de indústrias eletrointensivas. Em um cenário onde o mundo se torna cada vez mais elétrico e automatizado, a segurança energética - definida como a capacidade de o sistema ser autossustentável e robusto o suficiente para evitar colapsos - torna-se a prioridade número um para o desenvolvimento gaúcho.
Em entrevista exclusiva ao podcast do Correio do Povo durante o 6º Fórum de Energias Renováveis, com patrocínio de Biometano Sul e Biotérmica Energia, Guilherme Sari, diretor de eólicas do Sindienergia-RS, explicou que a diversificação da matriz energética é o único caminho para afastar a "sombra permanente" do risco de apagões.
Sari destaca que o Rio Grande do Sul possui hoje uma vantagem competitiva estratégica: ao contrário do Nordeste brasileiro, que sofre com a saturação de suas redes, o território gaúcho apresenta boa margem de conexão e infraestrutura de transmissão pronta para receber novos projetos. O foco agora se expande do litoral para a Fronteira Oeste e a Campanha, onde as "jazidas de vento" do Pampa oferecem ventos limpos e de alta performance.
Além da segurança técnica, a expansão das eólicas traz uma transformação social e econômica. Sari ressaltou que as torres de vento funcionam de forma consorciada com o agronegócio, permitindo que o produtor rural mantenha a pecuária e a agricultura enquanto gera uma nova matriz de renda em sua propriedade. Essa interconexão entre o setor público, iniciativa privada e o agro é vista como a chave estratégica para que o RS finalmente atinja a autossuficiência.