Economia

Indústria Naval dribla obstáculos do comércio internacional em Rio Grande

Aço utilizado na construção de navios é importado na Indonésia, mas fornecimento sofre com escassez de transporte

Diretor-operacional da Ecovix, Ricardo Ávila, projeta 4 mil novos empregos até 2028
Diretor-operacional da Ecovix, Ricardo Ávila, projeta 4 mil novos empregos até 2028 Foto : Fabiano do Amaral

A Ecovix anunciou a abertura de 100 novas vagas na etapa inicial de processamento de aço para a construção de navios no Estaleiro de Rio Grande. Para a Transpetro, a empresa prevê a construção de quatro navios petroleiros e outros cinco projetados para o transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (LPG) em dois contratos. O primeiro avaliado na ordem de US$ 280 milhões enquanto o segundo, com US$ 415 milhões investidos.

Com a construção dos nove navios encomendados pela Transpetro e um novo contrato em fase de aprovação que prevê a construção de outras quatro embarcações, a empresa estima a contratação de até 4 mil trabalhadores entre o ano que vem e o próximo. Apesar das boas perspectivas, a plena retomada das operações esbarra nas dificuldades do comércio internacional. De acordo com o diretor operacional da Ecovix, Ricardo Ávila, a indústria de metais brasileira não consegue suprir as demandas do setor, obrigando a empresa a buscar alternativas estrangeiras com preços mais competitivos.

Com os conflitos no Oriente Médio em torno da liberação do estreito de Ormuz, poucos navios que fazem o transporte de cargas dos países da região ficam disponíveis para transportar o aço, comprado da Indonésia, para o Brasil. A alternativa foi a aquisição de uma quantidade menor do material produzida em Santa Catarina, para não atrasar o início das operações.

Embora os desafios para o crescimento não sejam poucos, Ávila vê com entusiasmo a retomada, após a empresa ter atravessado um processo de recuperação judicial e, atualmente, atua para que a indústria naval volte a atrair investimento para o sul do Estado.

“Hoje nós temos contratos na casa dos US$ 690 milhões. Se eu tenho uma indústria naval forte no Brasil inteiro, eu consigo uma cadeira de suprimentos forte”, afirmou o representante ao comparar o crescimento do setor brasileiro à cadeia produtiva nas grandes potências asiáticas.

Em capacidade industrial, o Estaleiro de Rio Grande é o maior da América Latina. Com a volta das operações da empresa, a expectativa é de um retorno do crescimento industrial da região, com geração de empregos técnicos e especializados, renda e atração de recursos com potencial para impulsionar o desenvolvimento regional.

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