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Guerra no Oriente Médio: saiba quem leva vantagem econômica e estratégica com o conflito

“Os inimigos estratégicos dos Estados Unidos saem fortalecidos”, avalia o economista Gustavo Moraes

Conflito dura mais de um mês desde o ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel ao Irã e do assassinato do aiatolá Ali Khamenei
Conflito dura mais de um mês desde o ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel ao Irã e do assassinato do aiatolá Ali Khamenei Foto : Atta Kenare / AFP

Em mais de um mês de bombardeios e ataques, a guerra no Oriente Médio deixa milhares de mortos e um rastro de destruição. Mas além das perdas humanas, de patrimônio e infraestrutura, um conflito dessa proporção tem também um legado econômico. E, neste aspecto, há sempre vencedores e perdedores.

O economista Gustavo de Moraes, professor da Escola de Negócios da PUC-RS, avalia que o conflito vai alterar as correlações de força globais e colocar “novos balanços no mundo”. Para o economista, se o conflito chegar a um fim, deixará dois principais vencedores: China e Rússia. “Os inimigos estratégicos dos Estados Unidos saem fortalecidos”, resume Moraes.

A China deve levar vantagem estratégica e fortalecimento econômico. Já a Rússia ganha com o aumento do preço do petróleo no mercado. Quem deve sair em desvantagem, de acordo com o economista, são os Estados Unidos, pelos gastos na guerra e pela perda de confiança.

China fica em vantagem estratégica

O economista destaca que a potência asiática se preparou para o conflito acelerando os estoques de petróleo. Em função de não ter envolvimento direto nos ataques, a China tem ainda vantagem de poder observar estratégias dos EUA.

“Ela testa equipamentos militares. Ela observa estratégia americana e o modus operandi das forças americanas, ou seja, como eles agem para bombardear, resgatar um piloto”.

Mas, sobretudo, os chineses levam vantagem no mercado mundial com o enfraquecimento da economia nos Estados Unidos. “A gente tem o fortalecimento da posição chinesa e daquilo que é uma vantagem econômica da China no mundo frente ao déficit governamental americano”, conclui.

Rússia se beneficia da alta do petróleo

No caso russo, o fechamento e as incertezas em relação ao Estreito de Ormuz trazem vantagens econômicas. O cenário é lucrativo para os russos. “O petróleo ficando mais caro ajuda ainda mais o esforço de guerra da Rússia. A Rússia ganha mais financiamento, mesmo no mercado ilegal de petróleo”, afirma.

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Conflito vai pesar na economia dos EUA

Na avaliação do economista, quem deve acumular mais perdas em termos econômicos e estratégicos são os Estados Unidos. A Casa Branca esperava uma intervenção rápida no Irã, com o assassinato do aiatolá Ali Khamenei e a mudança de regime no Irã. Na prática, o conflito já dura mais de um mês. Trump fez ameaças que não cumpriu e deu ultimatos que foram ignorados e prorrogados. Tudo isso enfraquece a imagem de Trump e do governo estadunidense.

Além disso, Moraes destaca o custo monetário da guerra, que deve aumentar o déficit dos EUA. “Os Estados Unidos estão gastando muito para defender Israel e para atacar o Irã. E isso vai acentuando ainda mais o déficit. Se fala em cerca de R$ 30 bilhões gastos na ação contra o Irã - isso equivale a quase 20% da economia do RS. Esse gasto vai acentuando a necessidade de ali na frente ou os Estados Unidos ficarem mais endividados ou aumentarem seus impostos, enfraquecendo sua economia”.

Petrodólares e crise de confiança

Por fim, há uma crise de confiança dos EUA entre os países árabes, como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e Kuwait, e o estremecimento dos petrodólares.

“Eles são fortes poupadores. O petróleo gera grandes receitas e essa poupança é investida no mercado acionário e nos bancos americanos - os chamados petrodólares - em troca de uma suposta segurança. Neste conflito, ficou claro que os EUA muitas vezes não oferecem essa segurança. Neste caso, são os países árabes que estão oferecendo segurança para as bases americanas”.