Um painel com dados que registram as principais mudanças causadas pela enchente na logística do Rio Grande do Sul, organizado pelo Observatório Nacional de Transporte Logística da Infra S.A., foi lançado nesta terça-feira, e já está disponível para acesso. Ele foi apresentado na palestra “Infraestrutura e Desenvolvimento Regional: Desafios do Sul do Brasil” nesta terça-feira no Novotel, em Porto Alegre, parte da série de debates “Logística no Brasil”, que percorre cinco regiões do país.
“Ele oferece subsídios para que o planejamento estadual esteja alinhado à realidade atual e as necessidades futuras. Possibilitando que decisões sejam baseadas em evidências técnicas para que a estrutura gaúcha avance em inteligência e inovação para a melhoria das estradas”, disse Jorge Bastos, presidente da Infra S.A. Ele apresentou o painel e discutiu a realidade dos gargalos logísticos em conjunto com Maryane da Silva Figueiredo Araujo, Diretora de Obras e Projetos da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário – SNTF/MT e Ricardo Portella, vice-presidente da Federação das Indústrias do RS (Fiergs).
Bastos apresentou o panorama logístico da região Sul do Brasil, com impactos no campo da logística de transporte por conta da enchente. No relatório, foi apontado que 4,8% da malha rodoviária foi atingida pelo desastre, com trechos interditados, pontes destruídas e estradas inviabilizadas. Os prejuízos também alcançaram as ferrovias, portos e aeroportos, expondo a vulnerabilidade da infraestrutura logística do estado. Atualmente, de acordo com dados do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer/RS), são 24 trechos em 16 rodovias que ainda estão com bloqueios totais e parciais entre estradas e pontes.
Destes, 10 bloqueios são resultantes do evento extremo de 2024, enquanto os demais são de novos eventos, como o de junho de 2025. Foram apresentadas obras que estão em fase de elaboração de projeto, como nos municípios de Feliz, Itati, Sinimbu e outras em reconstrução, como Marcelino Ramos.
Impactos na exportação e importação
O transporte aéreo foi o modal que mais sofreu impacto, devido à interdição do Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre, que permaneceu fechado até setembro do ano passado. Com isso, cargas urgentes e de alto valor agregado precisaram ser redirecionadas para outros aeroportos regionais, como Caxias do Sul, Passo Fundo e Canoas e até Florianópolis, complementando o percurso com transporte rodoviário. A solução aumentou distâncias médias, custos logísticos e prazos de entrega. A movimentação de cargas pelo modo aéreo foi normalizada em 2025.
O volume de exportação pelo modo aéreo em tonelada líquida no RS teve decréscimo de 10% e 28% em relação ao respectivo mês anterior. Apenas em maio de 2025 o volume exportado ultrapassou o volume registrado nos anos anteriores para o mesmo mês. O volume exportado pelo modo marítimo teve decréscimo de 7% em maio de 2024 em relação ao mês anterior do mesmo ano, e voltou a subir em junho. O mesmo para o volume exportado pelo modo rodoviário. Já os volumes de importação permaneceram estáveis, com uma queda em maio de 2024 e voltando a subir no mês seguinte.
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Ferrovias
Na palestra, em termos de ferrovia, Bastos afirmou que é necessário avançar em investimentos, e defendeu concessão. "Nós temos ferrovias que foram programadas há dois séculos, que a competição se dava com a carroça. As ferrovias daqui estão completamente desatualizadas", relatou. Ele reforçou a necessidade de haver investimento em ferrovias no interior e que as malhas sejam produtivas. Lembrou que o Rio Grande do Sul faz fronteiras com muitos países do Mercosul, e que poderiam ser feitas mais ligações. "A opinião das federações do Rio Grande do Sul é super importante, eles estão vivendo aqui, sofrendo aqui com o que que acontece, tem que ser levado em conta", disse.