Economia

No Dia da Indústria, Fiergs debate desafios para competitividade e lança projeto de educação

Painelistas discutiram o cenário do país diante da política industrial e estratégias de resiliência

Desafios e perspectivas do setor foram temas de discussão em painel na Fiergs
Desafios e perspectivas do setor foram temas de discussão em painel na Fiergs Foto : Alina Souza

No Dia da Indústria, celebrado nesta segunda-feira, os desafios e perspectivas do setor foram temas de discussão em painel na Fiergs, que reuniu os presidentes da Federação, Claudio Bier, do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau, e Jayme Sirotsky. O evento também marcou o lançamento do projeto Educação Tecnológica para o Futuro da Indústria Gaúcha, com a formação de 10 clubes de robótica que reúnem alunos e professores das redes municipais de ensino, buscando aproximar os jovens da realidade industrial.

O presidente da Fiergs destacou que diversos eventos trouxeram desafios para a indústria, como a enchente e depois o tarifaço dos EUA. Nos últimos meses, a guerra no Oriente Médio também traz prejuízos para diferentes setores. “Nós vivemos em um país que tem o juro mais alto do mundo, e o empresário fica inibido para investir. Sem falar, ainda, no custo Brasil, que é um absurdo. Nos atrapalha e nos inibe. Mas nós somos resilientes, estamos prontos para enfrentar todas essas demandas”, disse o presidente em coletiva de imprensa anterior ao evento.

O presidente também destacou que a federação está apoiando projetos que considera promissores para impulsionar a indústria, como o Projeto Natureza, que está investindo R$ 27 bilhões em uma nova unidade da indústria de celulose em Barra do Ribeiro. O projeto é alvo de discussões e de uma ação civil pública. “Temos acompanhado muito de perto. Estamos lutando muito para que não venhamos a perder mais esse investimento, e colocamos a Fiergs completamente à disposição da CMPC”, disse Bier, que reuniu-se com a diretoria da empresa. “A Fiergs estará pronta para entrar com qualquer tipo de ação para defender os interesses do nosso estado, do nosso país e principalmente da nossa CMPC”.

Gerdau avaliou o cenário do país diante da política industrial, que, na sua visão, tem provocado a perda de posições relativas. "Está claramente perdendo a sua posição em relação à competitividade internacional", disse. Ele também mencionou o Custo Brasil, que não está com uma estrutura ajustada à nova realidade em relação à competitividade dos demais países do mundo.

"É extremamente importante a união do empresariado nesse sentido. Temos tido apoio em parte da opinião pública, mas no fim, a decisão cabe ao Executivo e ao Legislativo para ajustar o Brasil aos patamares internacionais", complementou.

Tratando de como a comunicação pode contribuir para o desenvolvimento do Estado junto à indústria, Sirotsky lembrou que a fatia da economia gaúcha movimentada pela indústria chega aos 30%, e defende auxílio de instituições para fortalecimento da competitividade. “Não estou falando nem no sentido financeiro, mas do auxílio estrutural. As nossas instituições apenas perturbam o trabalho, em todos os segmentos econômicos”.

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