Economia

Nova NR-1 requer não apenas obedecer a legislação, mas transformar uma cultura que adoece, aponta psicóloga organizacional

26º Congresso de Stress dá destaque à atualização da Norma Regulamentadora, em vigor desde maio

Evento ocorre entre esta terça e quarta-feira no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre
Evento ocorre entre esta terça e quarta-feira no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre Foto : Camila Cunha

A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que determina que todas as empresas devem realizar ações de prevenção de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, e está em vigor desde maio, é pela primeira vez implementada como uma obrigatoriedade para as empresas. Para a psicóloga organizacional e do trabalho Lúcia Simões Sebben, mas do que uma obediência à legislação, o processo de regulamentação da norma requer, acima de tudo, uma consciência social. “A gente não está aqui tratando de obedecer leis, a gente está aqui tratando de transformar uma cultura que está nos adoecendo”, disse.

Ela foi uma das palestrantes do 26º Congresso de Stress, que ocorre entre esta terça e quarta-feira no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. O congresso reúne especialistas, pesquisadores e profissionais de diferentes setores para debater estratégias de prevenção ao estresse, riscos psicossociais e promoção da saúde no trabalho. O evento também está dando destaque à atualização da Norma Regulamentadora.

Em sua palestra, voltada à gestão dos riscos psicossociais para além da norma, Lúcia destacou que as pessoas estão se preocupando mais com as questões técnicas e rotineiras da nova norma, mas ressaltou ser importante rever hábitos enraizados na sociedade.

“A gente está chegando em um ponto de inviabilidade, de colapso social realmente, onde as pessoas estão adoecendo e não estão percebendo o adoecimento, e o ambiente de trabalho está se tornando cada vez mais tóxico, nocivo e desorganizado sob o ponto de vista das demandas humanas”, disse a especialista. Os impactos dos riscos psicossociais envolvem uma cadeia inteira, com casos de absenteísmo, turnover (rotatividade) e afastamentos cada vez mais frequentes, apontou. “Aquilo que parece, em um primeiro momento, ser um problema do trabalho e das empresas, é na realidade um problema social grave e que requer medidas urgentes, para que isso não escalone ainda mais”, complementou a psicóloga.

O congresso está sendo promovido pela ISMA-BR (International Stress Management Association), e conta com palestras, workshops, debates, minicursos e exposições de trabalhos relacionados ao estresse, qualidade de vida e à saúde mental. Ao todo, são 303 inscritos, sendo 291 do Brasil, além de participantes de Angola (7), Colômbia (4) e Estados Unidos (1).

Representantes de praticamente todas as regiões do país estarão presentes. O Rio Grande do Sul lidera em número de inscritos (88), seguido por São Paulo (53), Mato Grosso (29), Distrito Federal (18) e Rio de Janeiro (17).

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