Economia

RS perdeu protagonismo político e econômico e o caminho é governança, diz Augusto Nardes na Federasul

Ministro do TCU e relator do Programa Recupera Rio Grande do Sul do órgão confirmou sondagens do PP e PL para os cargos de senador e governador em 2026

Coletiva do Tá Na Mesa com Augusto Nardes, Ministro do Tribuanl de Contas da União
Coletiva do Tá Na Mesa com Augusto Nardes, Ministro do Tribuanl de Contas da União Foto : Camila Cunha

O Rio Grande do Sul perdeu seu protagonismo político e econômico, e para recuperá-los, o caminho é a governança, disse o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), em coletiva de imprensa antes do evento Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) nesta quarta-feira, em Porto Alegre. Nardes, que é gaúcho, cumpre agenda no Estado enquanto relator do Programa Recupera Rio Grande do Sul. Também esteve presente na coletiva o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa.

O projeto foi instituído pelo TCU para acompanhar as ações de recuperação do RS após as enchentes de maio do ano passado. Nardes também disse que recebeu sondagens de dois partidos, PP e PL, para os cargos de senador e governador nas eleições de 2026, porém negou ser candidato. "É natural que meu nome seja colocado como um dos que possa disputar a eleição, mas não tenho decisão sobre o tema”, comentou o ministro.

“Quando não se tem governança, não se entregam resultados e não se monta uma estratégia. Temos que trabalhar para o Estado ter um protagonismo. Para isso, precisamos ter uma estratégia e unir todo mundo, seja centro, esquerda e direita, trabalhar em conjunto, respeitando a história e tradição do Rio Grande do Sul”, comentou. Para o ministro, a governança é definida por três conceitos: direcionar, avaliar e monitorar, com a adoção de indicadores de desempenho, por exemplo, algo que já está sendo implementado no governo federal.

No âmbito estadual, houve esta orientação ao governador Eduardo Leite. Segundo Nardes, isto foi iniciado, de fato, porém “precisa-se fazer mais”. “Minha missão é tentar orientar o governo atual para que seja feita uma política de governança, com a instalação, por exemplo, de programas de integridade. Faltou avaliação de risco no estado na enchente. (Nas cheias) quem salvou os gaúchos foram os voluntários. A estrutura da Defesa nacional chegou atrasada e a própria do Estado não estava adequadamente estruturada”.

O crescimento econômico é tímido no RS, ainda conforme o ministro, fazendo com que, “de certa forma (o RS perdesse) o espaço para Santa Catarina, Paraná e outros Estados, inclusive do Nordeste”. Conforme o ministro, o Brasil teve avanços nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro quanto à governança, mas houve recuos no atual. Para ele, a fraude investigada no INSS “mostrou que a governança não está funcionando adequadamente”, e que há um “colapso iminente” na previdência.

“Vários especialistas trouxeram quando a pirâmide irá inverter. Mostrei isto em 2014, no relatório das contas da ex-presidente Dilma Rousseff, alertando o governo da época. E agora a situação piorou, porque aumentaram os auxílios. Sou favorável ao Bolsa Família e ao Pé-de-Meia, porém é preciso uma contrapartida. Aqui no Estado, a situação também é grave, com dez aposentados para sete contribuintes. E minha missão é alertar isso. Temos que procurar ajudar o governo que está de plantão”.

Veja Também

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio