O projeto bilionário de data center no município de Eldorado do Sul, na região Metropolitana, está passando pela fase de tramitação do processo de licenciamento. A iniciativa, liderada pela empresa Scala Data Centers, prevê um aporte de investimento de cerca de R$ 3 bilhões na fase inicial do megaprojeto, considerado o maior condomínio de data centers da América Latina, e quer apostar no Brasil como um hub de processamento de dados e inteligência artificial.
Em maio, o projeto foi protocolado à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), e este ano será voltado ao processo licenciatório, que envolve a parte urbanística, de parcelamento do solo e de acesso viário. A previsão da empresa é de que, se autorizadas, as obras de urbanização comecem ainda em 2027, e a construção da estrutura do megaprojeto em 2028. A expectativa é de que o datacenter comece a operar oficialmente entre o final de 2028 e começo de 2029.
Os detalhes foram anunciados pelo vice-presidente sênior da Scala Data Centers, Luciano Fialho. Ele palestrou nesta quarta-feira na reunião-almoço Tá Na Mesa, promovida pela Federasul, com o tema “Soberania digital e uma nova vocação estratégica para o RS”, em que tratou do megaprojeto. “A gente, de fato, passou o último quarto de 2025 e primeiro quarto de 2026 finalizando o masterplan, que é o projeto de toda a cidade de inteligência artificial. A gente espera que esse licenciamento aconteça nos próximos meses”, disse em coletiva de imprensa anterior ao evento.
Fialho afirmou que a aposta é no Rio Grande do Sul por conta da localização no Cone Sul, com capacidade de atender a outros estados e países, e também devido à diversificação da matriz energética diversificada. "A gente aposta que esses dados vão ser repatriados em algum momento e serão processados aqui, e a gente aposta que o crescimento da economia digital vai demandar uma quantidade maior de dados, que por sua vez vai demandar uma quantidade maior de processamento e de datacenters para armazenar esses dados".
Projeto é alvo de críticas de ambientalistas
O projeto tem críticas de ambientalistas, que apontam impactos ambientais da atividade por conta do grande consumo de água e energia. O vice-presidente sênior defendeu que a empresa utiliza um sistema de resfriamento sem consumo intensivo de água, utilizando a quantidade mínima necessária apenas uma vez.
"Eu coloco dentro do sistema, a água é condensada e volta para o sistema de novo. Não há renovação de água o tempo todo. Então, a água não é uma demanda nossa. Uma quantidade de água mínima que vai ficar lá por 10, 15, 20 anos”, explicou Fialho. Já em relação à quantidade de energia utilizada, ele explicou que, na região, há uma quantidade de escoamento de energia demandada que não é utilizada dentro do Estado. A empresa também estuda desenvolver projetos com energias renováveis, com o uso de biometano e etanol.
O vice-presidente sênior ressaltou que a empresa está em contato direto com as comunidades das proximidades da região, e que promove ações para atender às necessidades dos moradores. Em outros estados, foram feitas doações de equipamentos tecnológicos e de bolsas de estudos.
Postos de trabalho ainda são estudados
A empresa ainda não tem uma previsão sobre o quanto estima ter de postos de trabalho, tanto provisórios quanto permanentes. No entanto, se baseiam em um estudo contratado da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que prevê impactos gerados pelos investimentos em infraestrutura digital. De acordo com a pesquisa, para cada emprego gerado dentro de um datacenter são gerados outros 22 empregos direta e indiretamente induzidos. "Não significa que as respostas dadas lá são automaticamente aplicadas aqui. É um projeto com uma concentração grande de investimento, que necessariamente não tem as mesmas respostas, mas dá pista pra gente".
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