Um grupo de alunos do Colégio de Aplicação, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, foi cautelarmente suspenso das atividades escolares sob suspeita de produção e divulgação de imagens adulteradas com Inteligência Artificial em que colegas eram retratadas nuas. De acordo com a diretora da instituição, Fernanda Britto da Silva, o caso foi denunciado na manhã da última quinta-feira, por um grupo de alunas, vítimas da ação.
Os estudantes teriam utilizado imagens das redes sociais das colegas para produzir deepfakes em que elas eram sexualizadas, com o objetivo de compartilhar em aplicativos de mensagens, conforme apurou a investigação interna da instituição até o momento. O grupo de alunas teria descoberto as imagens através de um amigo, também discente do colégio e procurado as autoridades para denunciar a prática.
A UFRGS informou em nota que as medidas imediatas recomendadas pela Corregedoria da Universidade foram tomadas, incluindo a suspensão cautelar dos estudantes envolvidos. A diretoria do colégio destaca que o código disciplinar discente prevê a possibilidade de afastamento cautelar dos alunos suspeitos de envolvimento mesmo antes da conclusão das investigações em nível administrativo.
A instituição informou que o processo administrativo para a identificação de todos os envolvidos pela produção e compartilhamento das imagens ainda está em curso, assim como o levantamento de quantas meninas foram vítimas da ação. O colégio contatou os familiares do grupo de denunciantes e orienta a abertura de boletins de ocorrência junto a Divisão Especial da Criança e do Adolescente (DECA) da Polícia Civil.
Até o momento, menos de 10 estudantes foram afastados, mas não está descartada a possibilidade de que o número de alunos envolvidos no caso aumente ao passo que as investigações avancem. A diretora reiterou que com frequência os temas de violências de gênero, capacitismo e racismo são abordados em atividades pedagógicas da instituição como parte do currículo e que uma série de medidas emergenciais voltadas ao assunto estão sendo adotadas em resposta ao caso, incluindo o acolhimento psicossocial às vítimas e suas famílias.
Leia a nota da UFRGS: