A comunidade escolar, pais, alunos e profissionais da educação que atuam na Escola Estadual Frei Veloso de Gravataí, cuja estrutura sofreu sérios danos em decorrência de um incêndio registrado em dezembro de 2024, reivindicam melhores condições de trabalho e comodidade aos 500 estudantes atualmente matriculados na instituição. Dos quatro prédios que a instituição contava, um deles foi completamente destruído. A escola atende nos turnos manhã, tarde e noite e acolhe estudantes de ensino médio e fundamental.
Até hoje as três salas de aula consumidas pelas chamas e os ambientes dos setores diretivos e de supervisão, também queimados, não foram reconstruídos e os alunos estão realizando as atividades escolares no refeitório, na biblioteca e também na sala de educação física, ambientes nada apropriados para a aprendizagem. Além disso, o incêndio afetou os banheiros físicos da instituição e entre as soluções para mitigar os efeitos da falta de estrutura foi alugar dois banheiros químicos.
Mãe de aluno atípico, Clarissa Rodrigues, também faz parte do Conselho Escolar de Pais e, por isso, se mantém envolvida semanalmente nas atividades da instituição. Ela conta que após o incêndio, restaram apenas escombros, retirados pelo Estado somente em agosto do ano passado. "Entre outubro e novembro de 2025, o esgoto estourou porque a rede não suportou a falta dos banheiros. O cheiro na escola é horrível."
Além disso, ela conta que parte dos estudantes tem que fazer as refeições no pátio, em dias de sol ou chuva, pois as crianças têm aulas no refeitório. A aflição só aumenta diante do risco da escola ser interditada.
Sérgio Zimmer Faleiro, pai de uma estudante de 16 anos, diz que a estrutura que não foi comprometida pelo sinistro é considerada precária. "Os alunos estão amontoados tendo aulas em espaços não adequados. E não apenas os estudantes são prejudicados, os professores e demais profissionais que atuam no local também. A escola é de todos. O problema não é só uma questão de ensino-aprendizagem, mas está ligada a saúde pública. A educação é o futuro."
A estudante do último ano do ensino médio, Mariana Viegas Gomes, 17 anos, diz que se sente prejudicada com a falta de investimentos no prédio e reivindica melhorias. "As torneiras não funcionam, os banheiros têm mau cheiro, não temos mais espaços e muito material didático também foi queimado. Precisamos de acolhimento e suporte. Somos estudantes que se preparam para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Estamos nos sentindo completamente abandonados."
A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que uma reunião na próxima terça-feira (7), tratará sobre a situação da instituição de ensino.