Ensino

Comunidade promove abraço simbólico em instituição de ensino afetada pelas cheias em Canoas

Após 10 meses da maior catástrofe climática vivida pelos gaúchos, a comunidade aguarda pelas obras de reconstrução e uma data de quando devem ser retomadas as atividades no local

Sem reforma, os alunos matriculados na Tereza Francescutti seguem realocados na Escola São Francisco de Assis
Sem reforma, os alunos matriculados na Tereza Francescutti seguem realocados na Escola São Francisco de Assis Foto : Thiago Guimarães / Divulgação / CP

Ex-alunos, professores, pais, estudantes e moradores que lutam a favor da educação realizaram uma mobilização neste final de semana junto à Escola Estadual Tereza Francescutti, no bairro Mathias Velho, em Canoas, exigindo a retomada das atividades no local. A instituição, que funcionava em três turnos, foi completamente interditada após ter tido a estrutura invadida pelas águas da enchente em maio do ano passado.

Após 10 meses da maior catástrofe climática vivida pelos gaúchos, a comunidade aguarda pelas obras de reconstrução da instituição de ensino e uma posição esclarecedora do governo do estado sobre quando devem ser retomadas as atividades no local. Sem reforma e sem condições de receber estudantes, os alunos matriculados na Tereza Francescutti seguem realocados na Escola São Francisco de Assis, também um colégio do Estado.

O movimento foi coordenado pelo vereador Eric Douglas, que chegou a usar a tribuna da Casa Legislativa para clamar pela reconstrução da escola e retomada das atividades. "Às vésperas de completar um ano, a escola segue fechada. Não é justo nem com os estudantes, pais e nem com os professores da escola. Precisamos de um retorno. Queremos a escola de volta." O protesto contou com a participação de outros vereadores da cidade. Ex-aluna e tia de duas estudantes da escola interditada, Josiane Marchese, explica que o movimento, que reuniu centenas de pessoas, foi feito com a intenção de chamar atenção das autoridades para que olhem com carinho para a escola.

"Queremos a escola de volta. Estão deixando a Tereza de lado. A escola é da comunidade; os estudantes carregam o sentimento de pertencimento. Hoje, é muito triste ver a escola abandonada, atirada, esquecida. Depois de interditada, ela foi depredada e saqueada. Nossos estudantes não merecem isso." Segundo ela, a escola para onde os estudantes foram remanejados fica no mesmo bairro, mas é bem mais longe. Além disso, eles sentem que aquele ambiente não é o deles e isso, segundo Josiane, reflete na aprendizagem. "As crianças estão desmotivadas, já não querem ir à aula. A escola Tereza Francescutti tem uma história junto com a comunidade."

A Secretaria Estadual de Educação informou que Escola Tereza Francescutti, afetada pelas enchentes de maio de 2024, será recuperada. O estudo conceitual do anteprojeto está previsto para ser entregue no final de março para posterior tramitação dos demais processos necessários para o começo da obra de reconstrução. Destaca-se ainda que a comunidade escolar está sendo comunicada periodicamente sobre atualizações do projeto.

E, dentro da estratégia da Secretaria da Educação para garantir infraestruturas escolares sustentáveis e resilientes, que sejam capazes de resistir e operar eficientemente diante de condições adversas, mitigando impactos na comunidade escolar, a pasta tem realizado escutas com a comunidade escolar e especialistas. Esta é, também, uma forma de entender as especificidades da região em que a escola está localizada.

O governo do Estado reitera que somente oito escolas, das mais de 600 que foram danificadas nas enchentes de maio de 2024, ainda não funcionam em prédios próprios. Isso comprova que a Educação é uma das prioridades do governo, que já investiu mais de R$ 180 milhões desde o começo dos eventos meteorológicos de 2024.

Os valores, que integram o Plano Rio Grande, foram divididos em reposição de mobiliário, parcelas extras de autonomia financeira, repasses para merenda, equipamentos e obras nas escolas que registraram danos de infraestrutura, além das parcelas eventuais do Agiliza. Por fim, informou que o propósito do Estado é cuidar do futuro do estudante, do professor e da sociedade, tornando o Rio Grande do Sul ainda mais forte e resiliente.

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