Ex-alunos, professores, pais, estudantes e moradores que lutam a favor da educação realizaram uma mobilização neste final de semana junto à Escola Estadual Tereza Francescutti, no bairro Mathias Velho, em Canoas, exigindo a retomada das atividades no local. A instituição, que funcionava em três turnos, foi completamente interditada após ter tido a estrutura invadida pelas águas da enchente em maio do ano passado.
Após 10 meses da maior catástrofe climática vivida pelos gaúchos, a comunidade aguarda pelas obras de reconstrução da instituição de ensino e uma posição esclarecedora do governo do estado sobre quando devem ser retomadas as atividades no local. Sem reforma e sem condições de receber estudantes, os alunos matriculados na Tereza Francescutti seguem realocados na Escola São Francisco de Assis, também um colégio do Estado.
O movimento foi coordenado pelo vereador Eric Douglas, que chegou a usar a tribuna da Casa Legislativa para clamar pela reconstrução da escola e retomada das atividades. "Às vésperas de completar um ano, a escola segue fechada. Não é justo nem com os estudantes, pais e nem com os professores da escola. Precisamos de um retorno. Queremos a escola de volta." O protesto contou com a participação de outros vereadores da cidade. Ex-aluna e tia de duas estudantes da escola interditada, Josiane Marchese, explica que o movimento, que reuniu centenas de pessoas, foi feito com a intenção de chamar atenção das autoridades para que olhem com carinho para a escola.
"Queremos a escola de volta. Estão deixando a Tereza de lado. A escola é da comunidade; os estudantes carregam o sentimento de pertencimento. Hoje, é muito triste ver a escola abandonada, atirada, esquecida. Depois de interditada, ela foi depredada e saqueada. Nossos estudantes não merecem isso." Segundo ela, a escola para onde os estudantes foram remanejados fica no mesmo bairro, mas é bem mais longe. Além disso, eles sentem que aquele ambiente não é o deles e isso, segundo Josiane, reflete na aprendizagem. "As crianças estão desmotivadas, já não querem ir à aula. A escola Tereza Francescutti tem uma história junto com a comunidade."
A Secretaria Estadual de Educação informou que Escola Tereza Francescutti, afetada pelas enchentes de maio de 2024, será recuperada. O estudo conceitual do anteprojeto está previsto para ser entregue no final de março para posterior tramitação dos demais processos necessários para o começo da obra de reconstrução. Destaca-se ainda que a comunidade escolar está sendo comunicada periodicamente sobre atualizações do projeto.
E, dentro da estratégia da Secretaria da Educação para garantir infraestruturas escolares sustentáveis e resilientes, que sejam capazes de resistir e operar eficientemente diante de condições adversas, mitigando impactos na comunidade escolar, a pasta tem realizado escutas com a comunidade escolar e especialistas. Esta é, também, uma forma de entender as especificidades da região em que a escola está localizada.
O governo do Estado reitera que somente oito escolas, das mais de 600 que foram danificadas nas enchentes de maio de 2024, ainda não funcionam em prédios próprios. Isso comprova que a Educação é uma das prioridades do governo, que já investiu mais de R$ 180 milhões desde o começo dos eventos meteorológicos de 2024.
Os valores, que integram o Plano Rio Grande, foram divididos em reposição de mobiliário, parcelas extras de autonomia financeira, repasses para merenda, equipamentos e obras nas escolas que registraram danos de infraestrutura, além das parcelas eventuais do Agiliza. Por fim, informou que o propósito do Estado é cuidar do futuro do estudante, do professor e da sociedade, tornando o Rio Grande do Sul ainda mais forte e resiliente.
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