Séries e filmes ambientados em universidades norte-americanas são muito populares entre jovens brasileiros. Além de entreter, despertam admiração e alimentam o sonho de estudar nos Estados Unidos. De acordo com o relatório Open Doors 2025, há 17,2 mil brasileiros no ensino superior norte-americano, sendo o Brasil, o 10º país no mundo que mais envia estudantes. A trajetória não é simples e exige dedicação e paciência, mas a oportunidade existe e pode começar a se concretizar desde já.
Recentemente, Porto Alegre recebeu um evento promovido pela EducationUSA, fonte oficial de informações sobre estudos nos Estados Unidos, ligada ao Departamento de Estado norte-americano. Na ocasião, universidades, colleges e community colleges apresentaram aos estudantes brasileiros as possibilidades de estudo no país e explicaram como funciona o processo de candidatura.
Cinco Etapas
A EducationUSA lista cinco etapas para estudar nos Estados Unidos. A primeira consiste em conhecer as opções, definir prioridades e entender os tipos de programas disponíveis. São mais de 3,8 mil instituições de ensino superior no país. O segundo passo é identificar os custos e buscar bolsas de estudo e auxílio financeiro. Muitas instituições oferecem bolsas integrais, que podem cobrir moradia, passagens aéreas e taxas acadêmicas.
A terceira etapa é a preparação da candidatura, com a verificação dos requisitos de admissão e a organização do cronograma. É nesse momento que o estudante escreve as redações exigidas e confere a política de testes padronizados. Na quarta fase, o candidato dá início ao pedido de visto de estudante, preenche os formulários necessários e se prepara para a entrevista.
Aprovado em todas as fases, é hora do quinto e último passo, que consiste na preparação para a viagem: conhecer a cidade, o ambiente acadêmico e se adaptar à nova realidade.
Disponível para todos
A orientadora educacional da EducationUSA, Simone Ferreira, destaca que as universidades norte-americanas oferecem suporte aos estudantes internacionais. “O aluno chega e encontra um centro dentro da universidade preparado para ajudá-lo, inclusive no aprimoramento do inglês. Existem muitas possibilidades, e nem todos sabem disso. Nosso lema é: estudar nos Estados Unidos é mais fácil do que você pensa. Todos os anos ajudamos milhares de alunos no mundo inteiro a alcançar esse objetivo”, afirma.
Segundo ela, o estudante brasileiro é diferenciado. “O brasileiro tem uma energia muito grande. As universidades comentam isso com frequência. É um aluno muito bem-vindo. Com uma boa candidatura, há grandes chances de ingresso”, diz.
Simone ressalta ainda que mais de 2 mil universidades oferecem bolsas para cursos de graduação e mais de 1,7 mil para mestrado e doutorado. Além da formação acadêmica, ela destaca a experiência cultural. “Você convive com pessoas de diferentes países, culturas e interesses. Essa troca é muito rica. As universidades estão preparadas para receber estudantes internacionais, o que é fantástico”, afirma.
Ela explica que o processo seletivo é diferente do brasileiro. Nos Estados Unidos, o desempenho ao longo do ensino médio é avaliado. Algumas instituições exigem testes como SAT ou ACT, além de cartas de recomendação, comprovação de proficiência em inglês e redações. A orientação é começar a montar a chamada “college list” com cerca de um ano de antecedência e buscar apoio da EducationUSA para fazer a candidatura.
“Nós temos uma relação próxima com as universidades. A decisão é sempre do aluno, mas estamos aqui para orientar e apoiar em todas as etapas”, completa.
Exemplo de sucesso
Um exemplo de que o sonho é possível é o de Andressa Valentin, de 29 anos. Moradora de Porto Alegre, ela foi afetada pelas enchentes de 2024 quando vivia em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. Graduada em Arquitetura e Urbanismo e mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi selecionada para um PhD (doutorado) na Ohio State University.
Ela conta que fez a inscrição em dezembro e recebeu o resultado em março. “No começo, fiquei receosa, parecia bom demais para ser verdade. Mas é real. Passei todo o ano passado nesse processo. Exige muita dedicação, mas é possível. Tive orientadoras que me acompanharam em todas as etapas”, relata.
A estudante afirma que só compreendeu a dimensão da conquista ao compartilhar a notícia com a família. “Estou muito animada, com grande expectativa de aprender e também de trazer esse conhecimento de volta ao Brasil”, diz.
Andressa ainda aguarda o resultado de outra candidatura, na University of Texas at Austin, mas já se prepara para embarcar em julho. Seu foco de pesquisa é planejamento urbano, com ênfase em desastres naturais e seus impactos, especialmente após as enchentes no Rio Grande do Sul.
Vinda da periferia, ela aconselha quem deseja seguir o mesmo caminho. “Talvez não seja o que elas querem ouvir, mas eu diria para ter paciência. Em vários momentos eu tive um pouco essa pressa de que as coisas dessem certo, mas as coisas exigem um processo, exigem maturação, o próprio processo do EducationUSA que eu participei, exigiu um ano de preparação, mas deu certo. Então, vale a pena. Só tem que ter um pouquinho de paciência e força de vontade”, orienta.
No site da EducationUSA estão disponíveis mais informações e a possibilidade de agendar atendimento com orientadores especializados.