Ensino

Estudantes da USP denunciam ação da PM em desocupação da reitoria

SSP afirma que houve uso moderado da força após esgotamento das tentativas de diálogo e situação de flagrante delito

Secretaria da Segurança Pública diz que a operação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem feridos
Secretaria da Segurança Pública diz que a operação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem feridos Foto : Felipe Rau / Estadão / CP

A desocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pela Polícia Militar (PM), na madrugada de domingo (9), foi classificada como "abusiva eivada de ilegalidade" pelo Diretório Central dos Estudantes da instituição, o DCE Livre da USP. Segundo a entidade, a ação não foi embasada em determinação judicial.

Em nota, o DCE afirmou que a operação deixou dezenas de estudantes feridos por bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, e relatou a “formação de um corredor polonês para espancamento”. Quatro estudantes foram detidos.

A entidade destacou que, “mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais”. Segundo os estudantes, a desocupação ocorreu por volta das 4h15.

Os estudantes ocupavam a reitoria desde quinta-feira (7) para reivindicar a reabertura de diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. De acordo com os alunos, havia uma negociação em curso que foi encerrada unilateralmente pela reitoria na semana passada, sem que diversas reivindicações dos estudantes fossem atendidas.

“O estopim para a ocupação é a extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade”, apontou o DCE. Eles relatam falta de água e proliferação de mofo nos apartamentos da moradia estudantil, além de insegurança alimentar nos restaurantes universitários, com fornecimento de comida estragada e até com larvas.

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Secretaria Segurança Pública

A Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo disse, em nota, que quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial, onde o caso foi registrado como dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após serem qualificadas, elas foram liberadas.

“A ação contou com aproximadamente 50 policiais e foi concluída sem feridos, após o esgotamento de tentativas de diálogo, observando o princípio legal do poder-dever, o fator surpresa para a segurança dos envolvidos e o uso moderado da força diante de resistência física às ordens legais. Havia situação de flagrante delito e crime permanente, não sendo necessária ordem judicial ou notificação para a desobstrução do espaço”, diz a nota.

Segundo a pasta, toda a operação foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes. “Após a desocupação, foram constatados danos ao patrimônio público, como portas de vidro quebradas, carteiras e mesas danificadas, além de avarias na catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes”, acrescentou a nota.