Férias escolares são oportunidade para novas experiências, olhares e descobertas. Para percorrer esse caminho, várias instituições da Capital têm feito atividades especiais para os meses de julho e agosto, buscando enfrentar as telas eletrônicas com criativa oferta de arte, ciência e cultura. Nessa batalha, oficinas, peças teatrais, exposições e visitação a museus convidam não só crianças, mas as famílias, a descobrirem novo e colorido mundo.
Aprendendo no Iberê
Nesse contexto, a Fundação Iberê Camargo oferece as "Férias na Fundação Iberê", integrando seu programa educativo. Durante o recesso escolar, o museu receberá oficinas e um espetáculo teatral que prometem despertar a curiosidade das crianças. De acordo com llana Machado, coordenadora do programa educativo, é justamente a sensação de novidade que ajuda a criança a esquecer as telas. "Quando as crianças chegam e temos os materiais já organizados para a oficina, e começam a experimentar, elas não lembram que as telas existem."
A fundação também trabalha com outras estratégias para engajar os pequenos. Envolvendo exposições que podem ser complexas, a equipe do programa educativo visa adaptar o espaço para as pequenas mentes. Ilana explica que eles tornam mais simples conceitos que podem soar difíceis, através de vocabulário adequado, que atrai as crianças para a conversa e a reflexão que a arte requer. E complementa: "A gente tem que estar sempre muito aberto, pesquisando não só artistas e questões acadêmicas, mas também linguagens que são utilizadas por crianças e adolescentes.
A folga das aulas ainda permite conquistar novos públicos ao museu. E famílias do Interior que visitam Porto Alegre fazem parada no Iberê Camargo e criam muito mais do que memórias ao lado dos pequenos. "Acho fundamental que as crianças possam vir, para que percebam que existem possibilidades infinitas no universo. É alimentar as possibilidades de mundo que essa criança vai ter no futuro e que, consequentemente, vai trazer para o mundo pessoas abertas a pensar novas possibilidades" ,enfatiza.
Mesmo assim, ainda existe um estigma de que museus podem ser lugares que pedem rigidez demais para crianças pequenas. Entretanto, Ilana discorda, pois acredita que a necessidade de seguir regras e aprender a explorar o mundo dentro dos limites estabelecidos também é uma experiência essencial de educação. "O museu é lugar de criança, porque é um lugar onde a gente vai para aprender. É como uma passagem para uma viagem", enfatiza a coordenadora.
Pequenos artistas
Pensando nisso, a fundação vai iniciar sua programação de férias com duas oficinas criativas. A primeira é a oficina "Desenhando afetos", inspirada na exposição de Panmela Castro: "Mulheres de Porto Alegre". A atividade vai convidar as crianças a levarem um objeto especial para criar um desenho com giz-pastel oleoso. A outra é "Fragmentos do todo", inspirada na montagem da exposição "Quem sabe, o tempo...” com curadoria de Carmela Gross. Nesse dia, a criançada será convidada a criar composições utilizando recortes de materiais coloridos.
Na semana seguinte, as atividades acontecem de sexta a domingo. Na sexta-feira (31), ocorre um espetáculo que marca a estreia da Companhia de Teatro Gatelupa. "Um leão na sala de aula" leva as crianças a refletir sobre suas memórias e celebrar as belezas da infância. No sábado (1) acontece a oficina "Mapeando universos visuais", inspirada na série "Art History" (1991), do artista Erró. A proposta é de construção de uma colagem inspirada em seu processo. Da mesma forma, no domingo (2), o programa de férias fecha com a oficina "Mini gravuras portáteis", em que os participantes vão experimentar a criação de pequenas gravuras e as imagens produzidas serão impressas em papel e transformadas em chaveiros.
Cultura com Quintana
É esse universo de descobertas e arte que a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) também chama as crianças a explorarem mais nas férias. O público poderá participar de atividades que instigam diferentes linguagens artísticas, como artes visuais, cinema, literatura e teatro. Parte da agenda ainda integra as comemorações pelos 120 anos de nascimento do poeta Mario Quintana.
Os visitantes poderão explorar "Instalações Educativas", inspiradas na obra do patrono da Casa. Com elementos imersivos e cenários lúdicos, as ações incentivam a curiosidade e a participação. Além disso, outra experimentação artística é a oficina "Quintana, papel e tesoura", ministrada por Juliana Maffeis.
No final do mês, a CCMQ segue com rica programação. No dia 30, recebe "O poema que fugiu", em que convida crianças a imaginar e ilustrar desfechos para poemas incompletos. E a Cinemateca Paulo Amorim realiza novas edições da "Sessão Quintaninha". programa que promove exibições gratuitas de filmes brasileiros.
Ciência na PUCRS
Por sua vez, o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS coloca ciência onde as outras instituições colocam arte. No programa "Férias no Museu", a curiosidade das crianças vira experiência científica através de duas semanas de atividades educativas.
O convite é para trabalhar temáticas que variam, do estudo de dinossauros à exploração do oceano, em duas trilhas de atividade. Uma envolve temas como física, astronomia, e biologia, com propostas que vão de "A ciência dos foguetes" até experiências mais sensoriais, como "Cavernas mágicas". Já a outra traz oficinas como “Escavando fósseis", intercaladas com biologia e sustentabilidade.
Com uma agenda que mistura cor, ciência e imaginação, as férias de julho em Porto Alegre mostram que trocar a tela por experiências reais pode ser mais simples, e mais divertido, do que parece. Entre pincéis, ex-posições, fósseis e constelações, o convite é o mesmo: que crianças e famílias redescubram, juntas, o prazer fora da tela.
*Sob supervisão de Maria José Vasconcelos