Ensino

UFCSPA debate ações afirmativas em Aula Magna

Universidade busca aplicar medidas de permanência desenvolvidas no sul da Bahia

Instituição recebeu a professora da UFSB, Joana Guimarães
Instituição recebeu a professora da UFSB, Joana Guimarães Foto : Fabiano do Amaral

Centenas de estudantes e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) receberam, no final da tarde desta quarta-feira, a Aula Magna da instituição, em Porto Alegre. O evento promoveu uma reflexão sobre os desafios visíveis e invisíveis das políticas de ações afirmativas nas instituições de ensino superior. A palestra foi ministrada pela professora e ex-reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Joana Guimarães.

O objetivo da Ufcspa com a palestra, é aplicar os exemplos de ações afirmativas e políticas de permanência bem sucedidas na instituição baiana. Conforme o que defende o pró-reitor de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis, Rafael Caceres, o fortalecimento dessas medidas beneficia toda a sociedade. “Queremos trazer os territórios, as comunidades, para dentro da universidade para que a universidade faça parte da sociedade, de fato, e que a sociedade se aproprie desse espaço. Para que isso aconteça as pessoas precisam estar aqui dentro”, defende Caceres.

Em sua fala, a professora, que foi a primeira mulher negra a assumir a reitoria da instituição, fez um resgate histórico sobre ações públicas e legislativas que dificultaram o acesso de populações indígenas, negras e quilombolas à educação até os dias atuais.

De acordo com a pesquisadora, com a abolição da escravatura, houveram decretos que proibiam o acesso de pessoas negras à escolas e, posteriormente, que limitavam o estudo ao período noturno. “A partir desse contexto de exclusão, enfatiza-se o reflexo sobre a realização das universidades públicas brasileiras, que vem como consequência a escassa representatividade de negros e povos indígenas na universidade”, explica Joana Guimarães.

A partir da criação da lei das cotas, a representatividade de minorias sociais começou a aumentar, até atingir a meta de que metade das vagas em instituições de ensino superior fossem destinadas a pessoas com renda per capita de até um salário mínimo. Apesar do avanço, o ingresso na universidade não resolve o problema. “Essas ações devem ser acompanhadas de políticas robustas e de permanência que precisam de recursos de diversas áreas”, defende.

A pesquisadora também defende que a academia se beneficia dos saberes adquiridos por povos originários e quilombolas, além das comunidades periféricas que, superando barreiras sociais, encontraram soluções para questões cotidianas, além dos saberes passados pela tradição oral em comunidades indígenas e quilombolas. Para ela, as atividades de extensão devem partir de um princípio de troca de saberes para ser efetiva.