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Casa natal de Hitler vira delegacia e gera debate na Áustria

Transformação da propriedade em Braunau am Inn visa neutralizar o local e impedir peregrinação de neonazistas, mas gera controvérsia

Imóvel teve sua fachada renovada para distanciar o edifício de sua carga histórica original
Imóvel teve sua fachada renovada para distanciar o edifício de sua carga histórica original Foto : JOE KLAMAR / AFP

A transformação da casa onde nasceu Adolf Hitler em uma delegacia de polícia está na fase final em Braunau am Inn, na Áustria. Com inauguração prevista para o segundo trimestre de 2026, o projeto de 20 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões) visa "neutralizar" o local e impedir que ele continue servindo de peregrinação para neonazistas.

O imóvel, expropriado pelo governo em 2016 após décadas de disputas com proprietários privados, teve sua fachada renovada para distanciar o edifício de sua carga histórica original.

A escolha da polícia como ocupante do espaço é motivo de controvérsia entre historiadores e grupos de direitos humanos. Ludwig Laher, do Comitê Mauthausen da Áustria, argumenta que a polícia é uma instituição de defesa do Estado, independentemente do regime, o que torna a ocupação "problemática".

Críticos e moradores locais defendem que o prédio seria melhor aproveitado como um centro de educação para a paz ou um memorial que contextualizasse o impacto do nazismo, em vez de uma repartição administrativa comum.

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O peso da história e o cenário político atual

A Áustria enfrenta uma relação complexa com seu passado: o país foi anexado pela Alemanha nazista em 1938 e frequentemente é criticado por demorar a reconhecer sua cumplicidade no extermínio de 6 milhões de judeus. Recentemente, Braunau renomeou ruas que homenageavam oficiais nazistas, atendendo a demandas históricas de ativistas.

Atualmente, o debate ganha novas camadas com a ascensão do Partido da Liberdade (FPÖ), sigla de extrema direita fundada por ex-nazistas que venceu as eleições legislativas de 2024, embora não tenha formado governo.

Memória versus tranquilidade

Enquanto parte da população espera que a presença policial traga "tranquilidade" à rua residencial, outros temem que a solução meramente funcional falhe em educar as futuras gerações sobre os perigos do fascismo. Em frente ao prédio, uma pedra memorial instalada anteriormente mantém o alerta: "Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam".

O Ministério do Interior sustenta que o uso público é a forma mais eficaz de quebrar o simbolismo negativo do local onde o ditador viveu seus primeiros anos.