Os confrontos no sudoeste do Iêmen entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e as forças governamentais respaldadas pela Arábia Saudita deixaram mais de 80 mortos nas últimas 24 horas, informaram nesta sexta-feira (2) à AFP fontes dos dois lados.
Pelo menos 55 combatentes antigovernamentais morreram na província de Taiz, em particular nos ataques aéreos, indicaram fontes militares houthis. Do lado governamental, fontes oficiais informaram a morte de 26 militares.
Situação em Taiz
Os combates aconteceram em várias frentes, tanto no interior quanto nas zonas montanhosas das regiões costeiras recentemente conquistadas pelos houthis. As forças pró-iranianas, que atualmente controlam a capital, grande parte do norte do país e o litoral do Mar Vermelho, tentam cercar Taiz, capital da província de mesmo nome.
Taiz é a terceira cidade mais populosa do Iêmen, que permanece majoritariamente nas mãos do governo no sudoeste do país.
Na noite desta sexta-feira, o porta-voz houthi Yahya Saree acusou Riade de ter bombardeado o Iêmen 94 vezes nas últimas 24 horas, incluindo a capital, Sanaa.
Por sua vez, as autoridades sauditas denunciaram "danos materiais" após a queda de um projétil disparado pelos houthis contra uma escola na cidade de Najran, na fronteira com o Iêmen.
O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou que está "alarmado" com a intensificação dos combates na província e com "as informações extremamente preocupantes sobre vítimas, danos a infraestruturas e bloqueios de estradas que impedem os habitantes de deixar a região".
A província de Taiz "abriga a maioria dos iemenitas deslocados recentemente" pelos combates, ressaltou.
Conflito e tensão regional
Após vários anos de relativa calma, o Iêmen voltou ao cenário de guerra em julho, um novo foco de tensão no Oriente Médio. O conflito se agravou em setembro, quando os houthis lançaram uma ofensiva violenta que consolidou seu controle sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, ponto de passagem crucial que conecta a Europa e a Ásia pelo Canal de Suez.
Os houthis atacam com frequência a Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar em apoio ao governo iemenita, e a frota do reino, principal exportador mundial de petróleo bruto.