O Paquistão lançou uma ofensiva aérea massiva contra o Afeganistão nesta sexta-feira (27), atingindo a capital Cabul e a cidade estratégica de Kandahar. O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou formalmente "guerra aberta" ao país vizinho, alegando que o limite da paciência de Islamabad foi atingido.
Em contrapartida, o porta-voz do governo Talibã, Zabihullah Mujahid, embora tenha confirmado a retomada de operações ofensivas na fronteira, expressou o desejo de resolver a crise por meio do diálogo, mesmo com caças paquistaneses ainda sobrevoando o espaço aéreo afegão.
Mediação internacional e crise humanitária
Diante do agravamento do conflito, uma coalizão de mediadores tenta estancar as hostilidades. Arábia Saudita, Catar, Irã e China já se manifestaram ou atuam nos bastidores para facilitar um cessar-fogo e evitar um derramamento de sangue ainda maior.
A crise já impacta severamente a população civil: disparos de artilharia atingiram o campo de Omari, local de abrigo para repatriados afegãos, provocando mortes e feridos, incluindo mulheres e crianças, além de gerar uma nova onda de deslocados que abandonam seus pertences e documentos por medo dos bombardeios.
Versões conflitantes e baixas militares
A guerra de narrativas entre Islamabad e Cabul dificulta a verificação real dos danos. Enquanto o regime Talibã afirma ter matado 55 soldados paquistaneses e capturado dezenas, o Paquistão relata a eliminação de 274 "membros do regime e terroristas", admitindo apenas 12 baixas em suas fileiras.
O Paquistão, potência nuclear, justifica a ofensiva como uma resposta a recentes atentados suicidas em seu território, acusando o Afeganistão de abrigar militantes armados, enquanto Cabul sustenta que apenas reage aos ataques aéreos sofridos no último final de semana.
Histórico de instabilidade e o fator Estado Islâmico
As relações entre os países, outrora cordiais, deterioraram-se drasticamente nos últimos meses. A fronteira permanece fechada desde outubro, após confrontos que deixaram mais de 70 mortos.
O cenário é agravado pela presença do Estado Islâmico Khorasan (EI-K), que opera em ambos os territórios e se aproveita da instabilidade institucional. Tentativas anteriores de paz mediadas por Turquia e Catar falharam, deixando a região vulnerável a uma guerra total em meio ao rigoroso controle social imposto pelo Talibã no Afeganistão.