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Israel anuncia medidas para aumentar controle sobre a Cisjordânia ocupada

Reforma inclui a eliminação das regulações vigentes há décadas que proíbem judeus de comprar terras no território

Netanyahu viajará para os EUA nos próximos dias
Netanyahu viajará para os EUA nos próximos dias Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP / CP

O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo (8) uma série de medidas voltadas a aumentar o controle sobre a Cisjordânia ocupada e abrir caminho para uma maior expansão dos assentamentos neste território palestino.

A Cisjordânia, que Israel ocupa desde 1967, constitui a maior parte do território de um potencial Estado palestino, mas a direita israelense tem como objetivo aumentar a presença de colonos nesta região.

"O gabinete de segurança aprovou hoje uma série de decisões [...] que modificam fundamentalmente a realidade jurídica e civil em Judeia e Samaria", um termo bíblico utilizado pela extrema direita israelense e por personalidades ultrarreligiosas para se referir à Cisjordânia.

As medidas foram anunciadas pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, um político de extrema direita do partido Sionismo Religioso, e pelo titular da pasta de Defesa, Israel Katz.

A reforma inclui a eliminação das regulações vigentes há décadas que proíbem judeus de comprar terras na Cisjordânia, segundo um comunicado conjunto.

Smotrich afirmou que a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado palestino".

Entre as decisões anunciadas está a transferência da autoridade sobre as permissões de construção para os assentamentos em partes de cidades palestinas, incluindo Hebron, dos órgãos municipais da Autoridade Palestina para Israel.

Em Ramallah, a Presidência Palestina — que exerce administração limitada em algumas áreas descontínuas — condenou o anúncio como uma tentativa de "anexar a Cisjordânia ocupada".

Para a Presidência Palestina, a decisão reflete "uma tentativa aberta de Israel de legalizar a expansão dos assentamentos, o confisco de terras e a demolição de propriedades palestinas, inclusive em áreas de soberania palestina".

Até hoje, qualquer mudança nas construções da comunidade judaica requeria a aprovação tanto do município local quanto das autoridades israelenses, reportou o jornal Times of Israel.

As novas medidas estabelecem que apenas será necessária a autorização de Israel.

O anúncio chega poucos dias antes da visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aos Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente Donald Trump, que se opõe à anexação da Cisjordânia.

Sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais, segundo o direito internacional.

Neste território vivem cerca de três milhões de palestinos. A ONU informou que a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia alcançou, em 2025, seu nível mais alto desde 2017, quando a organização internacional começou a coletar esses dados.

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