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Justiça do Quênia condena guru a 200 anos de prisão por matar fiéis de fome

Crime foi descoberto em 2023, quando centenas de corpos, a grande maioria de crianças, foram encontrados

Justiça do Quênia condena guru a 200 anos de prisão por matar fiéis de fome
Justiça do Quênia condena guru a 200 anos de prisão por matar fiéis de fome Foto : Luis Tato / AFP

Um tribunal do Quênia condenou, nesta sexta-feira (6), um autoproclamado pregador a 200 anos de prisão pela morte, por fome, de 190 crianças e um adulto de sua seita, que incitava as pessoas à inanição.

Desde o início do escândalo, em 2023, centenas de corpos foram encontrados na base da seita, perto da cidade costeira de Malindi, onde seu líder, Paul Mackenzie, estimulava os seguidores a morrer de fome para "conhecer Jesus".

No mês passado, um tribunal de Mombassa declarou o autoproclamado pastor e 28 coacusados culpados pelo assassinato de 190 crianças e um adulto entre janeiro de 2021 e setembro de 2023.

Nesta sexta-feira, o tribunal anunciou a pena de 200 anos para o guru: 100 anos pelas acusações de homicídio e outros 100 pelas acusações de inanição. Seus cúmplices também receberam penas de prisão.

O advogado de Mackenzie afirmou que apresentará recurso contra a sentença.

O Ministério Público havia solicitado a pena de morte para Mackenzie, alegando o elevado número de vidas perdidas, e prisão perpétua para seus cúmplices.

Francis Wanje, um professor de 62 anos que perdeu dois netos, também desejava a pena capital. "Nada pode aliviar a dor", disse à AFP.

Embora a legislação do Quênia contemple a pena de morte, o país não executa nenhuma pessoa desde 1987.

Mackenzie foi detido em abril de 2023, depois que alguns seguidores foram resgatados graças a um grupo de defesa dos direitos humanos que alertou as autoridades.

A operação policial posterior revelou centenas de covas rasas. As autópsias mostraram que a maioria das vítimas morreu de fome, enquanto outras, incluindo crianças, teriam sido estranguladas, espancadas ou asfixiadas.

As escavações foram temporariamente suspensas diante do crescente número de corpos descobertos, já que os necrotérios locais ficaram sem espaço.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quênia informou em 2024 que o número de mortos chegava a 429. Até hoje, algumas vítimas não foram identificadas.

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