O presidente da França, Emmanuel Macron, reconheceu nesta segunda-feira (19) "falhas" na resposta aos distúrbios registrados durante os protestos contra o custo de vida. Ele rejeitou o pedido de demissão de seu ministro do Interior e pediu uma ação dura contra os "vândalos".
A seis meses da eleição presidencial, em que Macron não poderá ser candidato, o caos registrado no fim de semana nas grandes cidades deixou o governo contra a parede, acusado de não ter antecipado o risco dos conflitos. Centenas de lojas foram saqueadas, a prefeitura de Limoges incendiada e a de Marselha danificada, carros queimados e confrontos entre manifestantes e as forças de segurança. As autoridades descreveram um caos "sem precedentes".
Críticas à segurança e ação policial
O ministro do Interior, Laurent Nunez, reconheceu a perda de controle da polícia em "algumas cidades" durante os protestos no país, que resultaram em mais de 2.500 detenções e quase 1.000 integrantes das forças de segurança feridos.
"Você não pode olhar os comerciantes nos olhos quando há centenas de estabelecimentos que foram saqueados e dizer que não perdemos o controle sobre algumas destas grandes cidades", afirmou Nunez. Ele admitiu em uma entrevista à emissora France Inter "uma falta de previsão" no sábado para a mobilização das forças de segurança, muito inferiores em número em relação aos vândalos e saqueadores que compareceram em massa aos protestos.
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O ministro disse que quase 60.000 agentes foram mobilizados no país naquele dia. Após o caos, ele afirmou que apresentou um pedido de demissão. "Levando em consideração a necessidade de um comando contínuo das forças de segurança no contexto atual, o presidente a rejeitou", informou o Palácio do Eliseu em um comunicado.
Macron exige transparência e novas medidas
Alguns políticos da oposição pediram a destituição de Núñez, mas Macron ordenou que ele adotasse "todas as medidas necessárias para garantir a transparência sobre as falhas de antecipação e de inteligência que levaram à violência", segundo a presidência. Também determinou uma ação dura contra os agitadores.
"Para acabar com os fenômenos de barricadas e saques, (Macron) também pediu ao ministro do Interior que implemente o mais rápido possível novos modos operacionais para as forças de segurança internas na luta contra os vândalos", acrescentou o Eliseu. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, fez seu "mea culpa" ao reconhecer que as autoridades "falharam indiscutivelmente".
Segundo ele, o serviço de inteligência francês é muito eficaz "no combate ao terrorismo islamista, ao crime organizado e às interferências estrangeiras, mas manifestamente não sabe lutar corretamente a ultraesquerda".
"É um ponto muito importante porque, nos próximos anos, uma das ameaças que o nosso país enfrenta está nos sediciosos de extrema esquerda que tentarão desestabilizar nossas instituições", acrescentou. O prefeito de Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, afirmou que "ruas inteiras foram sistematicamente devastadas" e alguns "monumentos foram deteriorados e destruídos". Mas ele fez uma distinção "entre o movimento social" e "os vândalos".