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Milhares são deslocados por incêndios no sul da Europa

Fenômeno, agravado por mudanças climáticas, faz com que a região enfrente o segundo pior ano em área queimada

Europa tem série de incêndios florestais
Europa tem série de incêndios florestais Foto : Thibaud Moritz / AFP / CP

Incêndios florestais violentos, alimentados pelo vento e pelas altas temperaturas, devastam diversas regiões do sul da Europa e levaram ao deslocamento de milhares de pessoas de uma área turística na França nesta quinta-feira (23).

Este ano é o segundo pior em termos de área queimada por incêndios florestais na União Europeia neste período desde que os registros começaram, há 20 anos, de acordo com dados de satélite do sistema Effis analisados pela AFP. Pelo menos três bombeiros morreram nos últimos dias, dois na França e um na Itália.

Situação na França

No sul da França, os bombeiros combatem dois grandes incêndios. Um deles, em Le Porge, perto da cidade de Bordeaux (sudoeste), já havia queimado 3.400 hectares, segundo a última estimativa dos bombeiros.

"A polícia bateu em todas as portas. O fogo estava a 500 metros de distância", disse à AFP Patrick Martineau, um morador de Le Porge, de 69 anos. "Estamos com medo e é difícil de entender. É surreal. Quando compramos aqui, há seis anos, não pensamos no risco de incêndio."

De acordo com diversas fontes consultadas pela AFP, o incêndio provavelmente começou durante trabalhos de limpeza de vegetação em uma estrada florestal. Segundo as autoridades, cerca de 20.000 pessoas - incluindo turistas e centenas de moradores de cidades próximas à floresta - foram obrigadas a deixar a área.

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12.500 focos de incêndios este ano

O outro incêndio, que começou na terça-feira ao meio-dia em um campo e se espalha pelo departamento de Var (sul da França), devastou 2.500 hectares e mais de 300 pessoas foram retiradas.

Durante a tarde, o prefeito, Simon Fabre, anunciou que "o fogo reacendeu" e que entre 50 e 100 focos de incêndio foram reativados.

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, mais de 12.500 incêndios foram registrados desde o início do ano, e 44.000 hectares já foram queimados.

Na França, os incêndios florestais nunca consumiram tanta superfície nesta época do ano. Espanha e Itália também enfrentam um de seus piores anos. As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atingiram o continente em junho e julho, causando maior evaporação da água.

São justamente as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, que agravam a seca atual, concluíram os climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado nesta quinta-feira.

Temperaturas altas e solo seco

Na Itália, dezenas de incêndios florestais e de vegetação devastam a Sicília, anunciou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi.

Cem moradores, assim como 22 pacientes de uma clínica no centro da ilha, onde as temperaturas ultrapassaram os 40°C nos últimos dias, foram evacuados na quarta-feira, segundo os bombeiros.

Um porta-voz da Agência de Proteção Civil da Itália disse à AFP que os incêndios estão sendo alimentados por "temperaturas muito altas e solo muito seco".

Mais de 160 incêndios também foram relatados nas últimas 24 horas na Calábria, região vizinha.

Na Espanha, a maioria dos moradores que foram evacuados na noite de quarta-feira, após um incêndio ter começado cerca de 70 quilômetros a sudoeste do centro de Madri, pôde retornar para suas casas, anunciaram os serviços de emergência nesta quinta-feira.

Diversas estradas permaneciam fechadas na manhã desta quinta-feira, disseram os socorristas.