O piloto indiano Smit Machchhar, ferido em um suposto ataque de seu copiloto a bordo de um voo entre Dubai e Tel Aviv, afirmou nesta sexta-feira (2) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que agiu para proteger os passageiros do avião.
"Eu estava tentando salvar a minha própria vida, mas sabia que não podia deixar que todas aquelas pessoas morressem", declarou Machchhar de seu leito no hospital, durante uma ligação divulgada por Modi em um vídeo publicado nas redes sociais.
O voo, um Boeing 737 operado pela companhia flydubai, transportava 174 passageiros quando o confronto ocorreu na quarta-feira.
Machchhar, com 17 anos de experiência na aviação, incluindo 11 como comandante, relatou o momento em que percebeu que o avião estava perdendo altitude enquanto estava ferido no chão, o que o levou a fazer um último esforço para evitar uma catástrofe.
"Eu tinha sofrido tantos ferimentos que caí. Naquele momento, eu conseguia sentir que o avião estava caindo. Eu sabia que aquela era a última tentativa, que a porta estava bem ali", disse. "Eu continuava sendo agredido, mas eu simplesmente abri a porta e todos entraram", relatou.
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Machchhar afirmou que seus anos de experiência permitiram entender o que estava acontecendo, mesmo quando estava ferido. As circunstâncias do confronto seguem sob investigação. Segundo as acusações, o copiloto atacou Machchhar, o que desencadeou uma luta pelo controle da aeronave.
Os passageiros ajudaram a evitar que ele caísse, permitindo um pouso de emergência na Arábia Saudita.
Modi afirmou que as ações do piloto contribuíram para salvar centenas de vidas e evitar "uma grande tragédia".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já havia atribuído a Machchhar e aos passageiros do voo o mérito de evitar uma catástrofe.
Os passageiros relataram que invadiram a cabine e participaram de uma luta pelo controle da aeronave depois que o avião despencou repentinamente, perdendo quase 5.200 metros de altitude em um minuto, segundo o site especializado Flightradar24.
"Sempre sorridente"
Para os amigos e vizinhos do bairro nos arredores de Mumbai, capital econômica da Índia, onde vivem os pais do piloto, essa coragem não surpreende. Eles descrevem Machchhar como uma pessoa gentil, prestativa e "sempre sorridente". De temperamento sereno, ele sempre demonstrou grande sangue frio.
Machchhar afirmou que, durante o confronto, recitou uma oração dedicada a Hanuman, a divindade hindu com forma de macaco que simboliza força, coragem e devoção. "Sei que Deus em pessoa me salvou."
Segundo o piloto, foram seus longos anos de experiência no comando de aeronaves que lhe permitiram compreender rapidamente o que estava acontecendo, mesmo estando ferido.
Antes de ingressar na flydubai, ele trabalhou por onze anos na companhia indiana SpiceJet. "Você fez algo tão extraordinário que pessoas de todo o país e de todo o mundo querem vê-lo e falar com você", disse Modi na conversa divulgada nesta sexta-feira.
O portal JewishBreakingNews.com lançou uma campanha de arrecadação para o "piloto herói do voo Dubai-Israel" que, na quinta-feira, já havia ultrapassado 110 mil dólares (572 mil reais).
Paralelamente, a influenciadora israelense-americana especializada em viagens Tal Dooreck lançou outra campanha de arrecadação online com uma meta de 35 mil dólares (182 mil reais). Assim que o valor for atingido, ela espera viajar para conhecer o piloto pessoalmente.
Uma autoridade de alto escalão dos Emirados Árabes Unidos classificou o incidente como um "ato terrorista" e elogiou o comandante que ajudou a evitar a queda do avião após ser atacado pelo copiloto.
O assessor presidencial Anwar Gargash afirmou na rede social X que Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, é um "verdadeiro herói" que merece "todo reconhecimento".
Nesta sexta-feira, Netanyahu alertou que os eventuais mentores do ocorrido no voo pagarão "um preço muito alto". "Estamos investigando se [o copiloto] foi enviado por alguém, e quem quer que o tenha enviado pagará um preço muito alto", declarou Netanyahu em uma mensagem de vídeo.