O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta segunda-feira (2) que o objetivo central da ofensiva contra o Irã não é a "mudança de regime", embora tenha reconhecido que a liderança de Teerã já foi alterada pelos bombardeios. "O mundo está melhor por causa disso", declarou o chefe do Pentágono, argumentando que a operação sob o comando de Donald Trump visa encerrar uma "guerra unilateral" de décadas promovida pela República Islâmica contra os interesses americanos.
Missão: destruição do escudo convencional
Segundo Hegseth, a missão militar possui três pilares decisivos e devastadores: eliminar o programa nuclear, destruir a marinha iraniana e aniquilar a capacidade de mísseis balísticos. O secretário justificou os ataques alegando que o Irã utilizava seu arsenal de drones e mísseis como um "escudo convencional" para sustentar uma chantagem nuclear global. Washington sustenta a tese de que a ação é defensiva e preventiva, destinada a remover ameaças iminentes aos Estados Unidos e seus aliados.
Hegseth adotou a postura da Casa Branca ao afirmar que os EUA não iniciaram as hostilidades, mas estão encarregados de terminá-las.
- EUA e Israel lançam ofensiva contra Irã; Trump prega queda de regime
- Irã promete resposta “feroz” a qualquer ataque dos EUA
Ruptura com a doutrina de 'guerras burras'
Hegseth também destacou as críticas históricas de Trump às intervenções de longa duração no Oriente Médio, classificando os últimos 20 anos de política externa intervencionista como "guerras burras".
O secretário, que é veterano dos conflitos no Iraque e Afeganistão, afirmou que a estratégia atual é o oposto da ocupação territorial: trata-se de uma intervenção cirúrgica projetada para ser decisiva e limitada no tempo, focada na neutralização de capacidades bélicas específicas.
“Nada de regras de engajamento estúpidas, nada de atoleiros de construção nacional, nada de exercícios de construção da democracia. Nada de guerras politicamente corretas. Lutamos para vencer e não desperdiçamos tempo, nem vidas”, disse Hegseth em uma entrevista coletiva.
Pete Hegseth afirmou tembém que atualmente não há tropas americanas em solo iraniano, mas deixou a possibilidade em aberto. Ao ser questionado em uma entrevista coletiva se o país tinha tropas em território iraniano, respondeu: “Não, mas não vamos entrar no exercício sobre o que faremos ou não”, antes de acrescentar: “Iremos até onde for necessário”.
Chefe do Estado-Maior dos EUA alerta para guerra prolongada
Já o Chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, General Dan Caine, afirmou que a ofensiva contra o Irã não será uma "operação de uma única noite". Ele alertou que o cumprimento das metas estabelecidas pelo Comando Central (CENTCOM) exigirá tempo e um esforço militar "árduo", sinalizando que a fase de bombardeios iniciais evoluiu para uma campanha de médio a longo prazo.
Confirmação de mortes e realismo militar
O general admitiu abertamente a expectativa de novas baixas americanas no teatro de operações. Até o momento, o Pentágono confirmou que quatro militares dos EUA morreram desde o início dos ataques conjuntos com Israel no último fim de semana. Caine ressaltou que, embora a Força Conjunta trabalhe para minimizar as perdas, a complexidade dos alvos e a resistência iraniana tornam o conflito de alto risco para as tropas mobilizadas na região.