O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retaliar eventuais ataques do Irã contra embarcações no Estreito de Ormuz bombardeando e destruindo pontes, usinas de energia e infraestruturas civis no país.
"Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia", declarou nesta quarta-feira (22), em sua rede Truth Social. Trump indicou ainda a possibilidade de atacar "muito em breve" um complexo nuclear subterrâneo nas montanhas iranianas.
Ataques em Teerã, Bushehr e custo bilionário
Pela décima primeira noite consecutiva, o Exército americano bombardeou alvos na república islâmica. A ofensiva acionou os sistemas de defesa antiaérea em Teerã e causou explosões em Bushehr — onde opera a única usina nuclear civil do Irã —, além de atingir o sul e o noroeste do país. Na Jordânia e no Kuwait, mísseis e drones iranianos foram interceptados.
Às vésperas das eleições de novembro, a guerra enfrenta crescentes críticas internas nos EUA. O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, informou ao Congresso que o custo do conflito — iniciado em 28 de fevereiro com ações de Israel e dos EUA — já ultrapassou US$ 37,5 bilhões (R$ 190 bilhões), solicitando um aporte adicional de US$ 67 bilhões (R$ 340 bilhões).
- Entre ameaças e ataques, guerra entre Irã e EUA se intensifica
- Guerra entre Irã e EUA se intensifica no Oriente Médio
- EUA prossegue com bombardeios no Irã e pretende restabelecer bloqueio naval
Risco no Mar Vermelho e alta das commodities
Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, a crise ameaça se expandir para o Mar Vermelho após os rebeldes huthis do Iêmen, apoiados por Teerã, anunciarem um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. A medida afetaria o Estreito de Bab el-Mandeb e o acesso ao Canal de Suez, inviabilizando rotas alternativas para o escoamento de petróleo. A ameaça foi condenada pelo Paquistão e rebatida por Trump, enquanto Washington articula o anúncio de um programa nuclear civil para os sauditas.
Apesar da escalada, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou durante cúpula na Ásia que Washington segue em busca de um acordo diplomático, mas acusou Teerã de não levar as negociações a sério. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã prometeu "ondas de drones e mísseis ainda mais decisivos". Com o agravamento do cenário, o barril do petróleo Brent voltou a superar os US$ 95 (R$ 482).