Polícia

Denúncia anônima mobiliza Polícia Civil em busca de corpos da família Aguiar

Agentes e PMs se reuniram na praia de Paquetá, em Canoas, mas nenhum corpo foi encontrado

Denúncia anônima mobilizou a Polícia Civil e integrantes da Brigada Militar
Denúncia anônima mobilizou a Polícia Civil e integrantes da Brigada Militar Foto : Guilherme Sperafico / Especial / CP

Uma denúncia anônima mobilizou a Polícia Civil e integrantes da Brigada Militar nas buscas pelos corpos da família Aguiar no começo da tarde desta terça-feira. As autoridades se deslocaram até a rua de Paquetá, em Canoas, onde estariam os cadáveres. As buscas, no entanto, foram encerradas por volta das 15h após nenhum corpo ser encontrado.

O local tem área extensa de mata e conta com um banhado. Agentes e PMs estavam na região desde antes do meio-dia e contaram com a chegada dos cães farejadores para iniciarem as buscas.

Silvana Germann de Aguiar e os pais dela, Isail e Dalmira, estão desaparecidos desde 25 de janeiro deste ano. O policial militar Cristiano Domingues Francisco foi acusado de matar a ex-esposa Silvana, além do sogro e da sogra.

Domingues ingressou na corporação em 2009. Estava lotado na 3ª Companhia do 15º BPM, em Canoas, com vencimentos de R$ 6,9 mil e carga de 12 horas de serviço. Antes disso, atuava no 24º BPM, de Alvorada. Preso preventivamente desde o dia 10 de fevereiro no Batalhão de Polícia de Guarda (BPG), em Porto Alegre, está afastado de suas funções.

O PM é acusado de duplo feminicídio, homicídio, ocultação de cadáver, furto, abandono de incapaz, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa. Segundo o promotor Caio Isola de Aro, à frente da denuncia, disputas relacionadas a guarda do filho de nove anos, fruto do antigo casamento entre Silvana e Cristiano, seriam a motivação dos crimes.

O advogado Jeverson Barcellos, que faz a defesa do PM, já reforçou em outras ocasiões que seu cliente nega envolvimento com as mortes. O espaço permanece aberto para manifestações.

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Confira a linha do tempo do caso:

Início de janeiro de 2026: sinais de alerta

2 a 9 de Janeiro

Silvana procura o Conselho Tutelar de Cachoeirinha para registrar que o ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, descumpria restrições de cuidados com o filho de 9 anos do ex-casal. A disputa pela guarda da criança é apontada como o principal motivo do crime.

Último contato e sumiço de Silvana

24 de Janeiro

Silvana é vista com vida pela última vez. Durante a noite, um carro Fox vermelho entra e sai duas vezes de sua residência. O carro branco de Silvana ingressa no local e permanece na garagem. O sinal do celular de Cristiano conecta-se ao Wi-Fi da casa de Silvana nesse período.

O falso acidente e sumiço dos pais

25 de Janeiro

Mensagens falsas e áudios modificados (com suspeita de uso de Inteligência Artificial) são enviados do celular de Silvana, alegando que ela havia sofrido um acidente de carro na rota para Gramado.

Preocupados, os pais (Isail e Dalmira) tentam pedir ajuda. Vão até a Delegacia de Cachoeirinha, mas a encontram fechada (por ser domingo). No caminho, relatam a desconfiança sobre o ex-genro a policiais militares. Pouco depois, Isail é visto por câmeras saindo da casa da filha a pé; após esse momento, o casal de idosos também desaparece.

Registros de desaparecimento

27 e 28 de janeiro

Na terça-feira (27), o próprio ex-marido, Cristiano, registra o desaparecimento de Silvana. No dia seguinte (28), uma sobrinha registra o sumiço de Isail e Dalmira. O minimercado da família em Cachoeirinha permanece fechado.

Perícia encontra vestígios

5 de fevereiro

O Instituto Geral de Perícias (IGP) realiza buscas e encontra vestígios de sangue humano (de um homem e de uma mulher) no banheiro e na lavanderia da casa de Silvana. A polícia descarta a história do acidente de trânsito em Gramado.

Prisão do suspeito

10 de fevereiro

O policial militar Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente. Dias depois, a polícia confirma que a geolocalização do celular de Silvana indicava que o aparelho esteve exatamente em frente ao local de trabalho de Cristiano, em Canoas, após o sumiço dela.

Prisão preventiva decretada

9 de abril

A Justiça converte a prisão temporária de Cristiano em preventiva. Ele permanece afastado das funções militares no Batalhão de Polícia de Guarda, em Porto Alegre.

MP denuncia três réus

O Ministério Público denuncia formalmente o PM Cristiano pelos crimes de feminicídio, duplo homicídio, ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, entre outros. A atual esposa dele e o irmão também viram réus por envolvimento e auxílio na ocultação dos fatos. A defesa do PM nega as acusações.

Buscas continuam por denúncias

30 de junho de 2026

Após mais de 150 dias do desaparecimento, a Polícia Civil e a Brigada Militar mobilizam cães farejadores na região da Praia de Paquetá, em Canoas, após uma denúncia anônima sobre o paradeiro dos corpos. Até o momento, os três integrantes da família Aguiar seguem desaparecidos.

A linha de investigação da Polícia Civil trata o caso como um trágico desfecho de feminicídio seguido de duplo homicídio e ocultação de cadáveres.

*Com informações do repórter Guilherme Sperafico