A Polícia Civil mudou de posição e agora resolveu investigar, oficialmente, a esposa do policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, suspeito do sumiço da ex-companheira, Silvana Germann de Aguiar, 48, e dos pais dela, Isail e Dalmira, 69 e 70, respectivamente, entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.
Casada com o PM desde 2022, Milena Ruppenthal Domingues era tratada como testemunha no inquérito, até essa quinta-feira, quando passou a figurar como suspeita ao lado do marido. Ela é investigada em liberdade.
O status foi alterado sob a justificativa que, supostamente, a esposa do PM não estaria cooperando com a investigação. A mudança também teve base em alegações de contato entre Milena e outra testemunha, que é o rapaz que esteve com ela e Cristiano na noite de 24 de janeiro, quando a primeira das vítimas sumiu.
Na data, o moço levou seu namorado ao Stop Food Park de Cachoeirinha, onde estavam o casal e o filho de nove anos de Cristiano, fruto do antigo relacionamento com Silvana.
Esse rapaz é amigo de infância de Milena. Sua casa, em Viamão, foi alvo de buscas no dia 5 de março, mas somente a mãe dele estava no imóvel. Na ocasião, ele fazia companhia para Milena, na casa dela, em Cachoeirinha. Foram apreendidos celular e notebook, além de um videogame, que o rapaz teria emprestado ao filho do PM, na data do desaparecimento da família Aguiar.
Em 13 de março, buscas ocorreram na casa da esposa do PM, apreendendo celular e notebook dela. Foi a segunda vez que um telefone e computador de Milena acabaram sendo recolhidos, sendo a primeira em 10 de fevereiro, quando Cristiano Domingues foi preso temporariamente.
A reportagem do Correio do Povo tenta contato com a advogada Suelén Lautenschleger, que representa a investigada, mas não teve retorno no momento desta publicação. O espaço permanece aberto às manifestações da defesa. Em 20 de fevereiro, ela enfatizou que a cliente nunca cometeu crimes e que entregou senhas de celular e notebooks à 2ª DP de Cachoeirinha, à frente dos trabalhos, cooperando na elucidação dos fatos.
Celular da vítima rastreado
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) rastreou o sinal do telefone de Silvana Aguiar entre os dias 26 e 27 de janeiro, em Canoas, onde o suspeito estava lotado, atuando como soldado na 3ª Companhia do 15ª Batalhão de Polícia Militar (BPM). Ele permanece afastado das funções desde que foi preso.
Outro laudo pericial detectou o celular de Silvana na área rural de Gravataí, em propriedades que não são do ex-marido dela, em 2 de fevereiro. Na data, o nome de Cristiano Domingues constava na escala de serviço do 15º BPM.
O celular de Silvana acabou sendo encontrado sob uma pedra na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, em 7 de fevereiro. Uma denúncia anônima teria levado os agentes ao aparelho, diz a 2ª DP de Cachoeirinha.
Buscas com cães farejadores
A área rural de Gravataí virou foco das buscas por corpos da família Aguiar. Na semana passada a Polícia Civil procurou as vítimas no bairro Costa Verde, o Costa do Ipiranga, em diligências junto ao Canil do Corpo de Bombeiros Militar. As ações estão suspensas para novo levantamento de área.
Os trabalhos somaram um inspetor e um escrivão da 2ª DP de Cachoeirinha e dois bombeiros, além de duas fêmeas da raça Pastor Belga Malinois, que percorreram a extensão de um terreno particular. As diligências receberam autorização do proprietário.