Polícia

Esposa de PM passa a ser investigada como suspeita do desaparecimento de família em Cachoeirinha

Milena Ruppenthal Domingues deixou de ser testemunha na Polícia Civil

Foto de 13 de março, quando Milena Ruppenthal Domingues foi alvo de buscas
Foto de 13 de março, quando Milena Ruppenthal Domingues foi alvo de buscas Foto : Marcel Horowitz / CP

A Polícia Civil mudou de posição e agora resolveu investigar, oficialmente, a esposa do policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, suspeito do sumiço da ex-companheira, Silvana Germann de Aguiar, 48, e dos pais dela, Isail e Dalmira, 69 e 70, respectivamente, entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.

Casada com o PM desde 2022, Milena Ruppenthal Domingues era tratada como testemunha no inquérito, até essa quinta-feira, quando passou a figurar como suspeita ao lado do marido. Ela é investigada em liberdade.

O status foi alterado sob a justificativa que, supostamente, a esposa do PM não estaria cooperando com a investigação. A mudança também teve base em alegações de contato entre Milena e outra testemunha, que é o rapaz que esteve com ela e Cristiano na noite de 24 de janeiro, quando a primeira das vítimas sumiu.

Na data, o moço levou seu namorado ao Stop Food Park de Cachoeirinha, onde estavam o casal e o filho de nove anos de Cristiano, fruto do antigo relacionamento com Silvana.

Esse rapaz é amigo de infância de Milena. Sua casa, em Viamão, foi alvo de buscas no dia 5 de março, mas somente a mãe dele estava no imóvel. Na ocasião, ele fazia companhia para Milena, na casa dela, em Cachoeirinha. Foram apreendidos celular e notebook, além de um videogame, que o rapaz teria emprestado ao filho do PM, na data do desaparecimento da família Aguiar.

Em 13 de março, buscas ocorreram na casa da esposa do PM, apreendendo celular e notebook dela. Foi a segunda vez que um telefone e computador de Milena acabaram sendo recolhidos, sendo a primeira em 10 de fevereiro, quando Cristiano Domingues foi preso temporariamente.

A reportagem do Correio do Povo tenta contato com a advogada Suelén Lautenschleger, que representa a investigada, mas não teve retorno no momento desta publicação. O espaço permanece aberto às manifestações da defesa. Em 20 de fevereiro, ela enfatizou que a cliente nunca cometeu crimes e que entregou senhas de celular e notebooks à 2ª DP de Cachoeirinha, à frente dos trabalhos, cooperando na elucidação dos fatos.

Celular da vítima rastreado

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) rastreou o sinal do telefone de Silvana Aguiar entre os dias 26 e 27 de janeiro, em Canoas, onde o suspeito estava lotado, atuando como soldado na 3ª Companhia do 15ª Batalhão de Polícia Militar (BPM). Ele permanece afastado das funções desde que foi preso.

Outro laudo pericial detectou o celular de Silvana na área rural de Gravataí, em propriedades que não são do ex-marido dela, em 2 de fevereiro. Na data, o nome de Cristiano Domingues constava na escala de serviço do 15º BPM.

O celular de Silvana acabou sendo encontrado sob uma pedra na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, em 7 de fevereiro. Uma denúncia anônima teria levado os agentes ao aparelho, diz a 2ª DP de Cachoeirinha.

Buscas com cães farejadores

A área rural de Gravataí virou foco das buscas por corpos da família Aguiar. Na semana passada a Polícia Civil procurou as vítimas no bairro Costa Verde, o Costa do Ipiranga, em diligências junto ao Canil do Corpo de Bombeiros Militar. As ações estão suspensas para novo levantamento de área.

Os trabalhos somaram um inspetor e um escrivão da 2ª DP de Cachoeirinha e dois bombeiros, além de duas fêmeas da raça Pastor Belga Malinois, que percorreram a extensão de um terreno particular. As diligências receberam autorização do proprietário.

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