Polícia

Governo do RS estabelece protocolo de atendimento das ocorrências de saúde mental

Secretarias da Saúde e Segurança Pública buscam integrar ações em casos de surto psiquiátrico

Secretária-adjunta da SSP, Adriana Regina da Costa, explica o Programa de Resposta Integrada nas Emergências em Saúde Mental
Secretária-adjunta da SSP, Adriana Regina da Costa, explica o Programa de Resposta Integrada nas Emergências em Saúde Mental Foto : Marcel Horowitz / Especial / CP

As Secretarias da Saúde (SES) e Segurança Pública (SSP) lançaram nesta quarta-feira o Programa de Resposta Integrada nas Emergências em Saúde Mental, que visa o atendimento das ocorrências de surtos psiquiátricos no Rio Grande do Sul. O objetivo da iniciativa é padronizar ações das forças policiais e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), determinando a equipe mais indicada para atuar em cada situação, através de um protocolo de classificação dos casos.

Conforme a secretária da Saúde, Arita Bergmann, o Executivo Estadual destinará R$ 20 mil mensais por município, garantindo a qualificação da assistência. O investimento anual ultrapassa R$ 19 milhões.

"Vamos disponibilizar um cuidado muito especial para todos os envolvidos em ocorrências de saúde mental. São situações diárias e que exigem um trabalho integrado, com atuação qualificada da Samu, Corpo de Bombeiros e Brigada Militar”, disse Arita Bergmann.

A intenção é padronizar as chamadas nos telefones 190, 192 e 193, por meio de perguntas específicas e do detalhamento do caso em questão aos atendentes. Depois dessa avaliação, com base nos critérios pré-estabelecidos do programa, será decidido se a ocorrência vai ser direcionada aos profissionais de saúde ou da segurança.

"Essa padronização do atendimento vai definir a ação posterior. Quando se tratar de situação com alto risco, haverá intervenção das forças policiais. Em caso contrário, a ocorrência será encaminhada aos profissionais de saúde”, explicou a secretária-adjunta da SSP, Adriana Regina da Costa.

A classificação de maior risco engloba tentativas de homicídio, feminicídio, presença de armas ou objetos cortantes, perigo de agressão a terceiros, situação com risco de queda, risco de afogamento, confinamento e incomunicabilidade.

Já os casos de menor risco incluem agitação psicomotora, sinais precoces ou menos intensos de realidade alterada e confusão mental, além do atendimento de idosos e menores de idade, quando não houver qualquer tipo de arma na cena.

O programa também abrange orientação das famílias de pessoas com fragilidade psiquiátrica. Como parte dessa estratégia, foi lançado o Guia de Apoio à Família em Crise de Saúde Mental, com orientações sobre como identificar sinais prévios de crise. Somado a isso, mais de 3 mil policiais vão receber aulas de qualificação para ocorrências de surto.

"Esperamos que as famílias consigam manejar situações envolvendo um parente em crise, sem a necessidade de uma intervenção externa ou do uso progressivo da força. Contamos com a ajuda de todos”, afirmou o secretário da Segurança, Mário Ikeda.

Veja Também