Juraci Oliveira da Silva, o Jura, foi preso na Operação La Paraguaya, efetuada por agentes da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico nesta sexta-feira em Porto Alegre. A Polícia Civil diz que ele lideraria facção Os Abertos no Campo da Tuca, na zona Leste. Sua defesa nega tais alegações, sublinhando que está sem acesso aos trâmites processuais.
A ofensiva ocorreu após quase um ano de apuração, cumprindo 38 ordens judiciais na Capital e em Canoas, Parobé, Portão, Campo Bom Gravataí, São Leopoldo, Osório e Sapiranga. Foram detidos 17 suspeitos de envolvimento em um esquema de transporte e distribuição de entorpecentes.
De acordo com a advogada Ana Maria Castaman Walter, que representa Jura, a defesa foi impedida de acessar os autos do processo. Ela também enfatiza que conversou com Jura e que ele não tem qualquer relação com o caso investigado.
“A vista do processo, que segue em sigilo, ainda não foi concedida. Assim que isso for oportunizado, a defesa atuará”, garante Ana Maria Castaman Walter.
Jura cumpria pena no semiaberto
Jura tinha deixado a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) em dezembro de 2024, quando recebeu permissão de cumprir o restante de 50 anos de condenações em regime semiaberto com tornozeleira. Seu irmão, conhecido como Índio, ganhou autorização de cumprir pena de 11 anos em regime domiciliar, no mesmo período.
À época, Jura estava detido por ordem de prisão preventiva, que acabou sendo revogada pelo juiz Jaime Freitas da Silva, da 1ª Vara de Execuções Criminais (Vec) de Porto Alegre. "Entendo necessária a revogação da prisão preventiva, inclusive porque a duração da segregação mostrou-se suficiente para o restabelecimento da ordem pública", dizia um trecho da decisão.
Ocorre que, em novembro daquele ano, Jura já havia sido autorizado a progredir ao semiaberto pela juíza Priscila Gomes Palmeiro, também da 1ª Vec. Ou seja, após a revogação da prisão preventiva, essa decisão da magistrada prevaleceu e, por isso, ele pôde deixar o sistema prisional, onde permanecia desde 2010, após ser preso no Paraguai.
Antes disso, em 2023, Jura foi absolvido de participação no assassinato do vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Marco Antônio Becker. O Ministério Público acusava Jura de ter atuado no planejamento do homicídio, em 2008.