Terminou nesta terça-feira, 10, por volta das 18h30h, no Foro da Comarca de Canoas, o julgamento pelo Tribunal do Júri da mulher acusada de matar o fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, crime ocorrido em 2015.
O Conselho de Sentença, formado pelos sete jurados (4 mulheres e 3 homens), considerou a ré culpada pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena foi fixada em 26 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado.
A sessão teve início às 9h e foi presidida pelo Juiz de Direito Bruno Barcellos de Almeida, titular da 1ª Vara Criminal. A sentença renova o decreto de prisão preventiva e determina a imediata execução provisória da pena pela ré. A acusada, de 31 anos, não compareceu ao Foro e foi julgada à revelia. Ela é considerada foragida da Justiça.
A acusação em plenário foi conduzida pelas Promotoras de Justiça Ministério Público Estadual, Daniela Fistarol e Rafaela Hias Moreira Huergo. A defesa da ré foi realizada pelos Advogados dativos Martin Mutschall Gross e Felipe Décio Trelles.
Depoimento
Durante a sessão plenária, foi ouvida a única testemunha de acusação, o delegado Marco Antônio Guns, responsável pela investigação à época dos fatos. Em depoimento aos jurados, o policial detalhou as diligências realizadas no inquérito e os elementos que levaram a Polícia Civil a apontar a ré como figura central no crime. Segundo ele, a apuração reuniu depoimentos de testemunhas, análise de mensagens e dados técnicos de telefonia, o que permitiu reconstituir os últimos passos da vítima.
As investigações indicaram que a acusada mantinha contato frequente com o fotógrafo e teria insistido em marcar um encontro em um posto de combustível. Conforme relatado em plenário, registros telefônicos e imagens de câmeras de segurança apontaram que os aparelhos da vítima e da investigada se conectaram às mesmas antenas na região na noite do crime.
O delegado afirmou ainda que a identificação da suspeita resultou do cruzamento de informações colhidas logo após o ocorrido e que, com o avanço das apurações, surgiram indícios de vínculos da acusada com pessoas ligadas à criminalidade, especialmente ao tráfico de drogas, circunstância considerada na análise do caso. No período da tarde, tiveram início os debates, etapa em que acusação e defesa apresentaram suas teses ao Conselho de Sentença.
A ré já havia sido submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2023, quando foi absolvida da acusação de homicídio. Na mesma sessão plenária, foi declarada a extinção da punibilidade pelo crime de ocultação de cadáver, em razão da prescrição, com base na pena concretamente projetada e sem oposição do Ministério Público. Entretanto, em abril de 2025, o julgamento foi anulado após o Tribunal acolher recurso do Ministério Público, ao entender que a decisão dos jurados era contrária às provas constantes nos autos. A decisão transitou em julgado em agosto do mesmo ano, determinando a realização de um novo júri.
- Após anulação em 2023, mulher denunciada pela morte de fotógrafo em 2015 é julgada em Canoas
- Moraes arquiva inquérito contra Elon Musk sobre suposta atuação em milícias digitais
- PGR pede ao STF condenação de deputados do PL por desvio de emendas
O caso
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, foi encontrado morto na Prainha do Paquetá, em Canoas. De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em 28 de julho de 2015, por volta da 0h30min, nas proximidades das ruas Itu e Guarani, perto da estrada de acesso ao local. Conforme denúncia do Ministério Público, a ré e Juliano Biron da Silva, com quem ela mantinha relacionamento amoroso, foram responsáveis pela morte.
Para a acusação, a mulher teria atraído o fotógrafo para um encontro, ocasião em que ele foi atingido por 19 disparos de arma de fogo. Apontado como autor dos disparos, Juliano Biron da Silva foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri em fevereiro de 2020, recebendo pena de 18 anos de reclusão, em regime fechado.