Oito pessoas foram presas nesta quarta-feira, suspeitas de participação em uma chacina que ocorreu em 2025, na zona Norte de Porto Alegre. As prisões fazem parte de uma operação da Polícia Civil, que cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades da Região Metropolitana da Capital e em Santa Catarina.
O crime matou quatro pessoas e deixou outras quatro feridas no bairro Rubem Berta. Segundo a Polícia Civil, o ataque ocorreu no contexto de uma disputa entre duas facções criminosas que atuam em Porto Alegre.
Entretanto, a chacina também vitimou pessoas sem ligação conhecida com o tráfico de drogas, de acordo com o delegado Daniel Queiroz, responsável pela investigação. Duas das vítimas fatais não tinham antecedentes criminais e, entre os feridos, está uma adolescente de 14 anos.
A Operação Ad Extremum é realizada pela Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Alvorada e Viamão, no Rio Grande do Sul, além de São José, em Santa Catarina. Quatro pessoas permanecem foragidas, e as equipes seguem em diligências para localizá-las.
“A operação se mostra exitosa justamente porque tem como objetivo atingir a organização criminosa de diferentes formas, causando impacto na estrutura do grupo e deixando claro que, caso ocorra um homicídio relacionado a uma organização criminosa, o Estado vai atuar de forma rigorosa para responsabilizar qualquer pessoa que tenha envolvimento”, afirmou o delegado.
Disputa do tráfico gerou 10 vítimas
Segundo o delegado, o conflito entre facções criminosas que motivou o ataque começou em meados de julho de 2025, na zona Norte de Porto Alegre, em razão da disputa por territórios de venda de drogas. Ao longo dos confrontos, mais de dez pessoas foram vítimas da violência. O ataque investigado na operação foi um dos episódios mais graves.
O crime aconteceu em 22 de julho de 2025, na Rua Adelino Ferreira Jardim, no bairro Rubem Berta, na zona Norte de Porto Alegre. Imagens de câmeras de vigilância mostram dois criminosos armados saindo de um veículo e atirando contra um grupo de pessoas em frente a uma loja de bebidas que, segundo a polícia, ficava ao lado de um ponto de tráfico de drogas.
De acordo com o delegado, os atiradores não tinham alvos específicos, já que os tiros foram feitos de forma indiscriminada, com o objetivo de atingir qualquer pessoa que estivesse no local.
“Os dois efetuaram diversos disparos de arma de fogo, vitimando quem estava ali nas proximidades. Foram tiros a esmo, que infelizmente trouxeram esse elevado número de vítimas”, afirmou o delegado.
Nicolas Kauam Fagundes Moraes, Cláudio Ribeiro da Silva e Jonas da Silva Gonzaga morreram no local. Deise Laura Fagundes, de 41 anos, chegou a ser hospitalizada, mas morreu posteriormente. Outras quatro pessoas ficaram feridas, entre elas a adolescente de 14 anos.
Na época, a Polícia Civil e a Brigada Militar atuaram para conter o conflito. Os executores do ataque foram identificados e presos durante a investigação. Segundo a corporação, o trabalho prosseguiu para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no crime.
Protocolo foi ativado pela disputa
Segundo o delegado Queiroz, a operação faz parte dos esforços para conter homicídios relacionados às disputas do tráfico de drogas, por meio da aplicação do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. O protocolo é executado de forma integrada entre as autoridades de segurança.
O objetivo é concentrar os esforços do Estado sobre os grupos criminosos apontados como responsáveis por parte significativa das mortes violentas no território. A medida é acionada após um homicídio relacionado ao narcotráfico e prevê uma força-tarefa em diferentes frentes.
Primeiro, é feito um reforço imediato do policiamento na região afetada, com o objetivo de evitar novos ataques e represálias. Paralelamente, a Polícia Civil acelera as investigações, com apoio da inteligência da Brigada Militar, para identificar os autores e a facção envolvida.
A estratégia também busca atingir a cadeia de comando das organizações criminosas, responsabilizando lideranças, inclusive aquelas que já estão presas. Para isso, são realizadas ações no sistema prisional, como revistas para apreensão de celulares e anotações que possam auxiliar na comunicação e na organização dos grupos.
O protocolo também prevê o combate ao poder financeiro das facções, por meio de investigações de lavagem de dinheiro, além do isolamento de lideranças criminosas presas em unidades de segurança máxima ou mediante transferência para penitenciárias federais.