O deputado federal Aécio Neves assumiu há pouco o comando do PSDB e tem um único objetivo central: restabelecer o partido e "trazê-lo de novo ao jogo político". Por ora, o foco é ampliar a bancada na Câmara dos Deputados – que sofreu sucessivos baques – ficando a eleição para a presidência em segundo plano. No entanto, Aécio é enfático em afirmar que os tucanos não estarão junto com os dois candidatos da polarização: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
"O PSDB é oposição ao PT, nós somos oposição às práticas, à visão de mundo, de gestão pública e desse Estado gigante, essa gastação desenfreada, nós somos desde sempre oposição. E não tem identificação também com essa pauta mais atrasada de setores do bolsonarismo, essa linha tênue que eles percorrem em relação à democracia. Nós nascemos na democracia, nós somos filhos da democracia. Então, ao mesmo tempo, eu acredito que o Brasil não se resume a isso. O Brasil não é apenas Lula e Bolsonaro. É maior do que isso", afirmou em entrevista exclusiva ao Correio do Povo.
Na avaliação de Aécio, há espaço para uma candidatura de centro. "Você tem aqueles 30% que vão votar no Lula por convicção e uns 20% que vão votar no Bolsonaro pelo Bolsonaro. Mas uma outra parcela que vai votar em um ou em outro no final porque vota para 'não' eleger. Nós temos que dar a esses que têm votado 'não' a chance de votar 'sim' a favor de um projeto", explicou.
Para o tucano, esse centro irá ganhar ainda mais espaço nos próximos pleitos, quando os nomes dessa polarização estiverem fora do tabuleiro político, com Lula impossibilitado de se reeleger e Bolsonaro preso e inelegível.
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O deputado não detalhou quem será esse nome do centro – e não se excluiu da disputa. Mas aproveitou para soltar uma indireta ao governador Eduardo Leite, ex-tucano e hoje no PSD: "Poderia ser uma alternativa presidencial, pelo PSDB, no centro, sem depender da boa vontade de A ou de B, sem ser refém da vontade de um líder político", apontou.