Política

Após resultado das urnas, emedebistas pretendem ‘atualizar’ sua identidade

Novo comando partidário que assumirá no próximo ano e eleições municipais de 2028 vão sinalizar direção da sigla no RS

No meio do caminho entre o pleito que passou e as eleições gerais de 2030 o MDB gaúcho tem mais do que as eleições municipais de 2028. Tem também a troca dos comandos partidários estaduais, em março de 2027, e do nacional, na sequência.

O atual presidente estadual do partido, deputado federal eleito Vilmar Zanchin, diz que, apesar de receber muitas solicitações para que permaneça no comando da sigla, avalia as condições de conciliar as funções com o exercício do mandato em Brasília, e não será obstáculo para correligionários que desejem sucedê-lo nas funções partidárias.

“Não há nenhuma dúvida de que o Alceu (o deputado federal reeleito Alceu Moreira) e o Melo (o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo) são lideranças que estão bastante fortalecidas e têm, ambos, todas as condições de comandar o MDB”, destaca.

Sobre as eleições de 2030, o dirigente diz que ainda é muito cedo para qualquer projeção. Ele lembra que o partido precisa se preparar antes para 2028, e que os próximos meses servirão para que sejam decantados tanto o cenário posto no RS como o nacional nos próximos quatro anos.

Alceu, que preside hoje nacionalmente o braço de planejamento e formação política da legenda, a Fundação Ulysses Guimarães (FUG), asseguram colegas parlamentares, está “fardado” para assumir o comando regional. Sobre o assunto, por enquanto, ele diz apenas que as discussões vão ser precedidas “pelo que as urnas nos contaram.” Antes dos debates a respeito do comando da legenda no RS, vai defender nas tratativas nacionais da sigla que acontecem neste final de 2026 um direcionamento ideológico claro.

“O partido precisa ter identidade. Uma identidade de centro-direita. O MDB do Nordeste com certeza não é de centro-direita. Então, na conversa que teremos ao final do ano com o presidente Baleia Rossi, vamos dizer que este partido, como está, com gente de tudo quanto é jeito, a cada ano reduz o número de parlamentares. Defendo que a gente faça um projeto partidário. Quem concorda, fica. Quem não concorda, sai. É do jogo”, adianta.

O deputado também tem pronto um planejamento para daqui a dois anos, intitulado “Caminhos da Cidade.” “Na eleição de 2028 já estaremos com nossa identidade absolutamente pronta. Nosso partido é gigante”, assegura.

Melo tem evitado encaminhamentos públicos sobre as eleições que estão por vir, mas deixou clara sua posição sobre o segundo turno da eleição presidencial na qual Lula saiu vencedor. Ainda no domingo, nas redes, assinalou a “soberania das urnas” e parabenizou o petista pela vitória. Na terça, voltou ao tema. “As eleições terminaram. É hora de olhar para o Brasil real. Precisamos olhar para o Brasil que quer crescer, melhorar de vida e viver em paz. É hora de olhar para frente, de fazer política e promover mudanças concretas com responsabilidade”, apontou.

Em paralelo às movimentações para os próximos pleitos, os emedebistas gaúchos também entabulam conversações sobre qual vai ser sua participação na administração do governador eleito, Luciano Zucco (PL). No momento, cresce a vertente que defende que a bancada estadual indique cargos de segundo e terceiro escalões, sem maior visibilidade, e se declare independente na Assembleia Legislativa, entregando mais ou menos votos conforme o projeto apresentado pelo Executivo.