Política

Como Andrei Rodrigues, diretor da PF, tornou-se alvo de André Mendonça

Decisão ocorre em meio à crise no Supremo Tribunal Federal

Diretor-geral da PF,  Andrei Rodrigues,  durante audiência na Comissão de Segurança da Câmara
Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, durante audiência na Comissão de Segurança da Câmara Foto : Lula Marques / Agência Brasil / CP

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou, nesta terça-feira, uma investigação do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A decisão inclui seu afastamento preventivo e torna-se mais um capítulo de uma crise institucional na Corte. O pedido de afastamento se baseia na “superlativa gravidade e ilicitude na produção de relatórios de inteligência pela Polícia Federal”.

O nome de Andrei Rodrigues começou a ganhar visibilidade na semana passada, após Mendonça retirar o sigilo de relatórios da PF, que expunham supostas mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do caso Master. Entre as mensagens, Vorcaro também teria pedido intervenção junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.


Andrei Rodrigues, de 55 anos, é delegado da Polícia Federal há mais de 20 anos e foi nomeado no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023.

Houve ainda outro movimento no final de semana. A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) indicou que os investigadores do caso Master estavam “mais confortáveis” com a condução do processo por Mendonça, em contraste com decisões "atípicas" do relator anterior, Dias Toffoli.

Rodrigues ainda não se manifestou.

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Contexto da crise no STF

A situação agrava a crise institucional no Supremo. O ministro Edson Fachin, presidente do STF, aguarda explicações de Mendonça e Moraes para decidir se leva o conflito ao plenário. A escalada da crise no STF iniciou com a retirada o sigilo de relatórios da PF por Mendonça, há uma semana.

Como resposta à ação, o próprio Moraes, por sua vez, solicitou a investigação de Mendonça por abuso de autoridade. Já Andrei Rodrigues havia afirmado anteriormente que a PF age com isenção e que “jamais houve direcionamento de qualquer atuação”.

Dentro desse contexto, Mendonça afirma que Andrei Rodrigues, como diretor da PF, encaminhou a Moraes ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.