Política

Congresso aprova lei que aumenta controle sobre terras raras

Novo projeto de lei visa ampliar poderes do Executivo e incentivar exploração privada das vastas reservas brasileiras de elementos estratégicos

Lei oferece incentivos ao setor privado para explorar as vastas reservas do Brasil.
Lei oferece incentivos ao setor privado para explorar as vastas reservas do Brasil. Foto : Ton Molina/Agência Senado

O Congresso aprovou na quarta-feira (2) um projeto de lei que amplia os poderes do Executivo sobre as terras raras e oferece incentivos ao setor privado para explorar as vastas reservas do Brasil.

O País possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, atrás apenas da China, mas não tem capacidade para explorá-las. "Não temos a tecnologia. Precisamos nos associar e garantir a transferência de tecnologia para a nação brasileira", afirmou durante o debate o senador Eduardo Braga, relator do projeto de lei.

Aprovação e contexto político

Um mês antes de uma eleição polarizada entre as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a lei foi aprovada com apoio da bancada governista e da oposição. O texto deverá ser sancionado por Lula.

Embora os 17 elementos estejam presentes em vários pontos do planeta, a separação é um processo complexo dominado por empresas chinesas, que os Estados Unidos buscam replicar. Seu valor estratégico está no fato de que são necessários para fabricar turbinas eólicas, motores elétricos e armamentos, entre outros produtos.

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Interesse estrangeiro e segurança nacional

Empresas americanas e o governo de Donald Trump expressaram interesse no Brasil como fonte dos elementos, mas a relação entre os países foi afetada pelas tarifas impostas por Washington às exportações brasileiras.

Lula vê com bons olhos o investimento estrangeiro, mas insiste que as terras raras devem ser processadas no País e não exportadas como matéria-prima.

O texto aprovado concede ao Executivo o poder de vetar acordos com empresas estrangeiras "que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica" do Brasil e reserva ao governo o direito de aprovar "a modificação do controle societário" das empresas do setor.