Realizado na tarde desta segunda-feira (6), o Fórum dos Presidentes 2026 reuniu lideranças cooperativistas e pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. O evento foi marcado por apontamentos e críticas entre os painelistas. O encontro foi realizado no Hilton Porto Alegre Moinhos de Vento e tinha como objetivo promover um espaço de diálogo sobre os desafios e oportunidades para o futuro do Estado, abordando temas como economia, inovação, sustentabilidade e impacto regional.
Participaram Gabriel Souza (MDB), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), que, além de apresentarem suas propostas em relação ao cooperativismo gaúcho, criticaram a ausência de Juliana Brizola (PDT). Ela não compareceu ao debate por motivos de saúde.
Conforme o presidente do Sistema Ocergs Darci Hartmann, anfitrião do fórum, todos os pré-candidatos foram convidados a participar do evento. "Nós compreendemos que cumprimos com o nosso compromisso. Compreendemos e respeitamos aqueles que não compareceram."
Zucco recordou que já esteve ausente em outros eventos semelhantes, pois priorizou outras agendas já antes marcadas. "Não sei o motivo da ausência, mas respeito a decisão dos pré-candidatos que priorizaram suas agendas, mas é um painel importante, o cooperativismo é um tema relevante."
Para Maranata, foi "lamentável" não ter a presença de todos os pré-candidatos ao governo do Estado. "Acredito que aqui tivemos a oportunidade de ouvir o setor e conhecer a proposta de todos. Não estar aqui mostra não reconhecer a importância e relevância do cooperativismo."
Gabriel também criticou a ausência. "Acho um desrespeito com o setor do cooperativismo que representa 14% do PIB do Rio Grande do Sul, que fatura mais de R$ 100 bilhões. Qual o compromisso mais importante que alguém que quer ser governador do Estado, que não seja debater com o setor?"
Painel
A dinâmica do painel funcionou da seguinte maneira: os pré-candidatos responderam, um de cada vez, por ordem de sorteio, a quatro perguntas que abrangiam o sistema de cooperativismo e apresentaram seus projetos. Em suas manifestações, os três presentes, além de expor suas ideias, também aproveitaram o espaço para criticar pensamentos, propostas e ações dos concorrentes.
Entre suas propostas, Gabriel afirmou que seguirá com os programas do atual governo e os ampliará. "Vamos levar conexão de Internet para o campo, para melhorar sua infraestrutura."
"É preciso sentar e negociar independentemente de quem seja o presidente do Brasil. Também acho importante trabalhar em novas rotas e vias de transporte de carga, investir em novos portos no Estado", afirmou Maranata.
Zucco afirmou que é necessário trabalhar em novas rotas, hidrovias, ferrovias e aéreas. "É necessário investir em Portos na Região Norte, para não perder para Santa Catarina. Temos que nos inspirar em outros Estados no que diz respeito a concessão de rodovias."
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Importância do cooperativismo
Gabriel avaliou a importância do painel devido a relevância do cooperativismo. "É um setor que atua na área do crédito, do agronegócio, da habitação e do trabalho, enfim uma série de possibilidades que representa para o Estado. Quis mostrar as nossas propostas para todas essas áreas que abrengem."
Para Gabriel, vem sendo desafiador conciliar a agenda de vice-governador com os eventos de pré-campanha, principalmente com as restrições. "O esforço tem que ser feito para poder viabilizar minha participação em debates, painéis e atividades de pré-campanha, que geralmente faço no final de semana e posteriormente no período da noite, e durante o dia me dedico às agendas de governo."
"Para mim, a ausência de pré-candidatos a esses eventos representa uma falta de respeito com o setor, com o organizador, com o eleitor e mostra o quão inacessível, eventualmente seria, se vier a ser o incumbente uma eventual vitória eleitoral", finalizou Gabriel.
Zucco avalia o cooperativismo como "extremamente importante e estratégico", não só economicamente, pois envolve diversos gaúchos. "Cada vez mais a gente entende que o Rio Grande precisa de uma mudança de agenda, não olhando apenas o lado fiscal, mas também a economia, a geração de empregos, ao ambiente de negócios e a infraestrutura, então acho que foi muito positivo."
Conforme Zucco, na questão da infraestrutura, se eleito, pedirá conselhos ao governador de São Paulo, Tarcício de Freitas. "Somos amigos de longos anos, entramos na política juntos. É uma grande referência, excelente governador, excepcional ministro da Infraestrutura. E nós sempre estamos atentos a escutar quem é referência."
Para Zucco, não há problemas em elogiar algumas das pautas que o atual governo avançou, mas que pode ser melhorado. "Precisamos entender que não estamos em terra arrasada. Nós temos o entendimento de que podemos muito mais e que precisamos avançar em pautas que envolvem essa interlocução com a Câmara Federal e o Senado."
Maranata avalia como importante falar com o setor cooperativo. "40% da população gaúcha está dentro das cooperativas, que movimentam R$ 104 bilhões. Não tem como ficar longe desse setor, ainda mais com os novos desafios, como a reforma tributária. Temos que fazer esse dinheiro circular dentro do Estado."
Segundo Maranata, é preciso auxiliar a cooperativa a conseguir fazer a industrialização do agronegócio, participar dos projetos de licitação de distribuição de energia, de cabos óticos. "O sistema cooperativo já se mostrou ser muito eficiente dentro da nova reforma tributária. A gente tem que estimular dentro do Estado, é muito importante ter esse setor dentro do gabinete do governador."
Conforme Maranata, o principal foco de sua pré-candidatura será rodar o Estado e ser conhecido. "Não perco um debate, participo de todos os fóruns e painéis que tem no Rio Grande do Sul. Acredito que a única polarização que terá é de quem se preparou contra quem não."
