Seis vereadores da Câmara de Porto Alegre foram eleitos deputados no último domingo (4). Entre eles, um nome ascende para a Câmara dos Deputados, em Brasília, e cinco à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Ao todo, havia 22 vereadores da Capital na disputa.
Jessé Sangalli (PL) foi eleito deputado federal, enquanto Comandante Nádia (PL), Karen Santos (PSol), Moisés Barboza (PSDB), Natasha Ferreira (PT) e Ramiro Rosário (Novo) ascenderam para o Legislativo estadual.
Jessé Sangalli (PL)
Com 94,6 mil votos, Jessé Sangalli foi o único vereador de Porto Alegre eleito para a Câmara dos Deputados. Durante a legislatura, o parlamentar quer defender valores ideológicos da direita e às pautas da mobilidade urbana, entre elas simplificação do Código de Trânsito.
“A direita presta muita atenção em questões de segurança pública, economia e empreendedorismo, mas para a mobilidade urbana não costuma dar tanta atenção. Eu quero ser o cara da direita que também trata de mobilidade urbana”, afirma o recém eleito deputado federal.
No próximo ano, o suplente Fabiano Rheinheimer (PL) assume a cadeira de Sangalli. Hoje, ele é secretário-adjunto de Parcerias na capital gaúcha.
Comandante Nádia (PL)
A vereadora foi a quinta candidata a deputada estadual mais votada no Rio Grande do Sul, com 111 mil votos. Na Assembleia, Comandante Nádia diz que sua principal bandeira será a segurança pública, e, especialmente, o combate à violência contra mulheres.
“Tratar da questão do feminicídio e da violência intrafamiliar é tratar da sociedade. São monstros que estão matando essas mulheres. Cuidar da segurança e determinar tolerância zero pro feminicídio são pautas muito fortes da minha atuação”, disse.
A cadeira da Nádia será assumida pelo suplente Alexandre Bobadra (PL). O liberal foi eleito vereador em 2020, porém teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) em agosto de 2023. Desde então, Bobadra, que não perdeu seus direitos políticos com a cassação, já assumiu a Câmara Municipal em diferentes ocasiões.
Karen Santos (PSol)
Eleita com quase 41 mil votos, Karen Santos ampliou a bancada do partido na Assembleia Legislativa, ao lado de Luciana Genro (PSol) e Matheus Gomes (PSol). Durante a legislatura, a parlamentar defenderá melhoras nos transportes coletivos com diminuição da tarifa, a atenção às pautas ambientais, e o fortalecimento da rede de proteção e acolhimento de mulheres vítimas de violência.
“É fundamental enraizar uma política de esquerda radical e combativa, que contribua para a politização do povo trabalhador para que a gente consiga usar desse mandato na Assembleia também para dar voz e visibilidade para os problemas do povo gaúcho junto com os trabalhadores", afirma.
Com a saída, a cadeira de Karen será preenchida pelo suplente Paulo Brack (PSol). O futuro vereador é militante da causa ambiental e professor universitário.
Moisés Barboza (PSDB)
Com 21,6 mil votos, Moisés Barboza foi o deputado estadual eleito com menos votos no Rio Grande do Sul. Na Assembleia, o tucano, que é presidente da Câmara de Porto Alegre, defenderá o ensino técnico profissionalizante público de turno integral, a volta da mineração de areia no Lago Guaíba, a desburocratização da dragagem com retirada de sedimentos, e a construção de um programação sólido de irrigação.
O deputado eleito, contudo, não deixará de lado uma de suas bandeiras prioritárias na Câmara que é a proteção às crianças e adolescentes. “Queremos cuidar para ter talvez uma universalização do sistema, como um todo, nos 497 municípios, dos conselhos tutelares, e buscar ferramentas para que as crianças que procuram ajuda não sejam revitimizadas”, disse.
A cadeira do atual presidente da Câmara de Porto Alegre, Moisés Barboza (PSDB), deve ser preenchida pelo suplente Matheus Xavier (PSDB). Ele é atualmente secretário municipal de Assistência Social.
Natasha Ferreira (PT)
Eleita com cerca de 54 mil votos, Natasha Ferreira será a primeira deputada estadual travesti da história do Rio Grande do Sul. A parlamentar reconhece que, com uma bancada reduzida, a esquerda terá desafios. No entanto, deve se debruçar na revisão de contratos de concessões, na defesa da agenda de direitos humanos e, principalmente, na educação pública.
"A escola pública, hoje, precisa melhorar muito na dinâmica com as crianças, na dinâmica do bullying, no salário, na estrutura. A gente precisa convencer o governador agora de apostar que a educação é um investimento, não um gasto público para depois conjunto construirmos um projeto de educação que não seja militar, por exemplo”, defende.
Na Câmara de Vereadores, a cadeira de Natasha será ocupada pela suplente Jane Pilar (PT). A futura vereadora é professora, cientista social e militante.
Ramiro Rosário (Novo)
Eleito com 54,9 mil votos, Ramiro Rosário também deixará a Câmara Municipal para assumir uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado. Durante a legislatura, o futuro deputado quer focar em reduzir a burocracia para empreendedores, flexibilizar regramento ambientais, diminuir a máquina pública e frear projetos de lei que desfavoreçam a iniciativa privada.
"A gente precisa fazer esse ponto da virada agora. Flexibilizando as normas ambientais, flexibilizando o excesso de regramentos que existem para que uma empresa, uma indústria possa se instalar no Rio Grande do Sul ou até mesmo para que o poder público faça determinadas obras, que esbarram nesses órgãos de controle”, declara.
Com a saída, quem assume a cadeira na Câmara de Vereadores é a suplente Julia Zardo (Novo). A arquiteta e urbanista já foi secretária adjunta de Meio Ambiente e Urbanismo de Porto Alegre.
*Supervisão Thiago Padilha
