Eleições

Diante de novo El Niño, pré-candidatos ao governo do RS divergem sobre formas de reação às inundações

Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB) comentaram sobre as condições climáticas antes de painel sobre saúde pública

Maranata, Juliana e Gabriel participaram do evento promovido pela Federação RS
Maranata, Juliana e Gabriel participaram do evento promovido pela Federação RS Foto : Alina Souza

Um novo El Niño chegou ao Rio Grande do Sul. As recentes inundações, que já afetam diversos municípios gaúchos, levaram três pré-candidatos ao governo do Estado a divergir sobre as formas de reação aos eventos climáticos extremos. Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB) comentaram, na tarde desta quarta-feira (22), sobre os impactos das chuvas e a seus possíveis desdobramentos na corrida eleitoral.

O atual vice-governador do Estado, Gabriel Souza, destacou que é preciso um investimento mais robusto para encarar as mudanças climáticas, mas disse que o Rio Grande do Sul já está bem mais preparado para novas inundações. “Nós temos que, cada vez mais, robustecer a capacidade de resiliência, de resistência à mudança do clima do Rio Grande do Sul.”

“Temos mais radares, mais ações hidrometeorológicas. Quadruplicamos o tamanho da Defesa Civil. Agora, é claro que o Rio Grande do Sul vai ter sempre regiões que vão ser eventualmente atingidas por eventos climáticos. E, por consequência, enchentes e inundações vão ser comuns”, completou o postulante, que acredita que as consequências do novo El Niño não devem ser utilizadas como argumento em debates eleitorais.

“Eu acredito que a gente está vivendo um outro teste”, disse, por sua vez, a pré-candidata Juliana Brizola. “A verdade é que a gente vai ter que aprender a conviver com esses fenômenos climáticos. Nós temos que nos adaptar. Para isso tem obras de grande porte que tem que ser feitas, que provavelmente já foram licitadas para fazer, mas demora. Mas existem coisas básicas que a gente pode enxergar na própria cidade, se elas estão sendo feitas ou não."

Para a postulante, “a resiliência climática é algo que a gente precisa trazer até de dentro da educação”.

Já Marcelo Maranata destacou a necessidade de reduzir burocracias para implementar projetos de proteção contra cheias com mais agilidade. “Os projetos das cinco bacias estavam prontos. Todos eles prontos para execução, e o Estado não executou. Veio a chuva de 2024. E agora tem que rever a cota, mas no mesmo projeto. Aí foram fazer projetos novos”, explicou.

“A gente não está em um Estado protegido e eu tenho caminhado nas ruas e as pessoas têm nos cobrado isso. A gente ainda está com as cidades inseguras, não foram feitas barreiras de proteção, não foram feitos projetos. Então, certamente, isso vai vir em cobrança do eleitor, do atual governo”, afirmou.

Os pré-candidatos se manifestaram sobre o novo El Niño pouco antes de subirem ao palco para um painel organizado pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul (Federação RS). Luciano Zucco (PL) foi convidado, porém não compareceu devido à convenção estadual da sigla.

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Desafios para a saúde pública

Gabriel, Juliana e Maranata (PSDB) apresentaram suas propostas para a saúde pública em evento da Federação RS, realizado na tarde desta quarta-feira (22), no NAU Live Spaces. Durante o painel, os postulantes ao governo do Estado responderam a questionamentos da Federação RS e de dirigentes hospitalares. Entre os temas abordados, estiveram o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), a sustentabilidade da rede filantrópica, o endividamento dos hospitais, o fortalecimento do Programa Pró-Hospitais e a ampliação dos investimentos estaduais em saúde.

Gabriel criticou, mais de uma vez, a ausência do pré-candidato Zucco. “Não consigo ver outro compromisso mais importante do que um painel sobre saúde pública”, mencionou, em mais um episódio da troca de farpas entre os dois pré-candidatos. Ao longo das discussões, o atual vice-governador celebrou o pagamento da dívida com hospitais e a criação do Programa Assistir, que promoveu mudanças na maneira como o Estado repassa verbas aos hospitais do SUS. Gabriel também mencionou os investimentos no programa Avançar.

O pré-candidato, contudo, destacou repetidamente a defasagem da tabela SUS federal. “Nós temos um problema crônico no Brasil”, frisou o postulante. Caso seja eleito, o postulante afirma que corrigir os valores será uma de suas prioridades, assim como qualificar o SUS Gaúcho “para viabilizar a fila zero, especialmente, em especialidades que têm maior procura.”

A sua primeira ação, no caso de se tornar governador do Estado, contudo, será implementar o Suplementar Diferencial do Programa Assistir para poder destinar mais recursos aos hospitais. O pré-candidato também destacou que quer ampliar o recurso do transporte sanitário para reduzir o absenteísmo e alcançar os 12% do orçamento estadual que devem ser investidos em saúde.

Juliana também destacou a importância de enfrentar as longas filas do Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu entendo que a saúde é algo que preocupa muito os gaúchos. Hoje, os gaúchos estão com medo de precisarem de atendimento”, afirmou. “Quando a gente fala de números, a gente está falando de pessoas. Enfrentar essa fila é uma questão de honra”, completou. A pré-candidata, que precisou sair mais cedo para participar por motivos familiares, ressaltou o seu papel como uma das idealizadoras do Pró-Hospitais.

Sobre o SUS gaúcho, Juliana destacou que o “programa precisa ser utilizado, especialmente, para acabar com as filas”. A pré-candidata disse que, se for eleita, manterá o SUS gaúcho, mas prevê mudanças para que sejam priorizadas as especialidades com maior procura. A pedetista também quer formar um “cluster” da Saúde no Rio Grande do Sul para “fazer com que a saúde se torne um vetor para o desenvolvimento econômico no Estado”. Ela também defendeu que, caso eleita, cumprirá os 12% a partir do primeiro ano de governo. Para ela, é preciso injetar recursos na saúde e transformar o Pró-Hospitais em uma política permanente do Estado, diminuindo burocracias na distribuição de recursos do programa.

Ao longo do painel, Maranata teceu críticas aos companheiros de painel. O pré-candidato criticou o descompasso nos repasses aos municípios e defendeu que é preciso “enxugar a máquina”. O ex-prefeito de Guaíba, que considera a passagem pelo Executivo municipal um diferencial para o postulante ao governo do Estado, também apontou problemas no programa Assistir. “Ele (o Assistir) tirou recursos daqui (da Região Metropolitana) e levou para onde não tem especialistas”, ponderou.

Maranata ainda disse não ser favorável ao SUS Gaúcho, mas sim a uma Tabela SUS Gaúcho que seja permanente. Para o pré-candidato, é preciso “acertar a regionalização”, “enxugar a máquina” e renegociar o Funrigs. “Temos que fazer o tema de casa”, afirmou.

Entre as suas propostas, o ex-prefeito disse que, se eleito, quer reunir, em comitê, todas as regionais para discutir financiamentos aos hospitais. O postulante ainda disse considerar o Ipê Saúde como “um grande negócio”, apontando para a necessidade de uma visão empreendedora. “É uma ferramenta para prospectar a saúde. Não é para concorrer com a Unimed, mas para atender aquele indivíduo que não quer ficar no SUS”, ponderou.

Pauta prioritária do setor

Ao final do evento, a Federação RS entregou a pauta prioritária aos pré-candidatos ao governo do Estado. A federação reúne 251 hospitais filantrópicos, presentes em 226 municípios gaúchos. O grupo é responsável por 74% dos atendimentos do SUS, 70% dos leitos de UTI e 75% das internações realizadas pelo SUS gaúcho.

*Sob a supervisão de Thiago Padilha

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