Oficialmente como candidata do Partido Socialismo e Liberdade (PSol) para disputa ao Senado Federal, Manuela d’Ávila celebrou, em convenção da Federação PSol-Rede, neste sábado (25), a chegada à sigla. A porto-alegrense ainda reforçou o apoio à reeleição do presidente Lula (PT) e à candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo do Rio Grande do Sul.
Em sua nona corrida eleitoral, Manuela disputa pela primeira vez no partido, após uma trajetória de quase 30 anos no PCdoB. “A construção dessa jornada é marcada por profunda responsabilidade”, ressaltou a candidata, que chamou atenção para a necessidade de ampliar as bancadas do PSol e de pensar em novos rumos para a esquerda.
"O nosso partido, por muitas razões, [...] foi brutalmente ameaçado. Ameaçado pela sua resistência. E uma das ameaças que persiste é a ameaça da cláusula de barreira. É por isso que o meu compromisso, o nosso compromisso, deve ser não tentar, mas garantir que nós tenhamos uma bancada de deputados federais”, afirmou a candidata.
Manuela também aproveitou a ocasião para alfinetar Flávio Bolsonaro (PL). “Enquanto nós estamos aqui, companheiros e companheiras, Flávio Bolsonaro organiza sua convenção. E na sua convenção, o momento de maior vibração política foi uma fala de Netanyahu. O genocida das crianças, das mulheres, do povo da Palestina”, destacou.
Ao longo do evento, representantes da Federação PSol-Rede comentaram as alianças do partido. Os discursos também foram marcados por críticas à extrema-direita, ao fascismo e ao imperialismo norte-americano, assim como por falas em defesa da democracia e dos direitos humanos.
Na mesa, estiveram presentes a deputada estadual e presidente da Federação PSol-Rede, Luciana Genro; a presidente do PSol gaúcho, Gabi Tolotti; o porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, Andrezão; o vereador e presidente do Psol Porto Alegre, Roberto Robaina; a deputada federal Fernanda Melchionna; o deputado estadual Matheus Gomes; e a secretária geral do PSol nacional, Berna Menezes.
A presidente do PSol gaúcho abriu os discursos. “É missão de todos que estão aqui encarar essa eleição como a eleição das nossas vidas”, afirmou a presidente do PSol gaúcho, Gabi Tolotti. Na sequência, Andrezão destacou o papel da federação na disputa entre a “volta da barbárie e a continuação do processo democrático”.
Luciana Genro, por sua vez, falou sobre a ausência de candidatura própria da sigla própria do PSol à presidência da República pela segunda vez consecutiva. “Seguimos apoiando o Lula, buscando fazer essa contenção contra a extrema direita, buscando fortalecer a luta do povo brasileiro”, reconheceu, mas destacou que é essencial impulsionar o crescimento da sigla.
Sobre a corrida pelo Palácio Piratini, Luciana reforçou o apoio à Juliana. “Acreditamos que é necessário impedir a continuidade do processo neoliberal de Eduardo Leite ou o retrocesso ainda maior que seria uma vitória do Zucco.”
Berna Menezes também comentou as alianças. “Apoiamos Lula, não com a certeza que estamos garantindo as transformações que nós queremos e que o nosso povo necessita. Assim como, no Estado do Rio Grande do Sul, Juliana também é a nossa trincheira, independente das diferenças que tenhamos”, ressaltou.
“Essa eleição é a mais estratégica do Senado da nossa história”, afirmou a deputada federal Fernanda Melchionna, que destacou a importância de defender a pré-candidatura de Juliana e reforçou que é preciso seguir fortalecendo a presença de Manuela na majoritária. Outros integrantes da sigla também discursaram.
Ausência de apoiadores de fora da sigla
Juliana Brizola (PDT), Edegar Pretto (PT) e Paulo Pimenta (PT) não participaram do evento. Embora não estivessem presentes na convenção, os demais integrantes da chapa estiveram juntos em ato que oficializou a candidatura de Juliana ao governo do Rio Grande do Sul. O evento, que aconteceu às 11h deste sábado, também marcou o lançamento oficial da coligação entre PDT, PT, PSol, PSB, PCdoB, PV, Rede e Avante.
Na ocasião, Manuela afirmou que esta será a eleição mais importante de sua vida. “Nós caminhamos lado a lado abraçados por todas e por todos vocês, porque, neste Estado de Juliana e Edegar, não sairá um fascista para o Senado da República. Neste Estado, sairá a voz das nossas mulheres vivas enfrentando a violência”, destacou.
A candidata já ocupou cadeira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e na Câmara dos Deputados. Caso seja eleita ao Senado Federal, essa será sua primeira conquista majoritária após quatro tentativas – uma à vice-presidência da República e outras três à prefeita de Porto Alegre.
Em busca de ampliar presença no Estado, PSol lança nominata
A Federação PSol-Rede divulgou, na convenção deste sábado, a nominata com as candidaturas de ambos os partidos. Ao todo, o PSol indicará 23 nomes à Câmara dos Deputados e 21 à Assembleia Legislativa. A Rede indicará dois nomes para cada uma das Casas.
“Nosso principal desafio é coletivo”, afirma Luciana Genro. “Do ponto de vista partidário, nós queremos primeiro nos fortalecer ainda mais em Porto Alegre, na região metropolitana. [...] E obviamente também tentar avançar pro interior do Estado onde o partido não tem esse enraizamento social que é necessário pra ter uma uma votação mais expressiva.”
*Sob supervisão de Thiago Padilha
