Eleições

Especial: Manuela d’Ávila quer combater ódio e defender a democracia no Senado

Candidata do PSol cita ações como enfrentamento à violência às mulheres e bets

Manuela d'Ávila aposta na capacidade de diálogo para fazer a diferença no Senado
Manuela d'Ávila aposta na capacidade de diálogo para fazer a diferença no Senado Foto : Mauro Schaefer

Com uma trajetória política de ascensão desde a primeira eleição a vereadora de Porto Alegre, com 23 anos, Manuela d’Ávila optou por se afastar das eleições em 2020, após ser alvo de uma sucessão de ataques políticos e pessoais de grupos políticos, assim como sua família, que ela resume como ‘extermínio’. Na hora em que diz “estar bem” e a política “mal”, Manuela viu que era o momento de voltar. Filiou-se ao PSol, após deixar o PCdoB, e ingressou na corrida por uma das duas vagas ao Senado, sendo a única mulher entre os candidatos com representação no Congresso.

Ao definir as bandeiras, trouxe dois temas que considera caros na luta democrática: o combate à violência às mulheres, que vai além da questão de segurança pública, e a restrição de bets no país. Em entrevista antes do auge da crise do STF, Manuela foi enfática: “Ninguém, nem uma única pessoa pode estar acima da lei”. E defende a construção de pontes. “O Senado não pode ser lugar de gente que não sabe se comportar.”

Manuela é a terceira entrevistada do especial que o Correio do Povo continua, nesta quarta-feira, com oito dos candidatos ao Senado pelo RS. Neste ano, serão eleitos dois nomes.

Veja o especial com oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul

As próximas entrevistas serão publicadas nos dias 17, com Marcel van Hattem (Novo); 18, com Milton Cardoso (PSDB); 21, com Paulo Pimenta (PT); 22, com Renato Jaguarão (Cidadania); e 23, com Ubiratan Sanderson (PL). Os primeiros foram Frederico Antunes (PSD) e Germano Rigotto (MDB).

Principais trechos

Sobre retornar à disputa de um cargo público: “É uma eleição muito valorizada, muito importante para democracia, determinante dos rumos da política nacional. E essas pessoas me mostravam as pesquisas, que eu lidero há mais de um ano, e fiz uma reflexão que é evidentemente em primeiro lugar uma reflexão que foi pessoal e familiar. (...) Conversei com a minha família, com meu marido e com os meus filhos. A gente entendeu que eu estava bem e que a política estava muito mal.”

Sobre os ataques em eleições passadas: “O bolsonarismo inaugurou um tempo de busca de extermínio de adversários. E a predileção é de mulheres, que como eu, que representam não a si, mas outras mulheres. Então, na verdade, foram eleições que passei por coisas que eu desejo que ninguém passe, dentro ou fora da política. Nem quem concorda comigo e nem que discorda. Mas valeu muito a pena, porque defender o Brasil vale a pena. Defender as outras mulheres iguais a mim, o homem e a filha, vale a pena. Foi duro, foi difícil, mas vale a pena defender o nosso país. Eu acredito nisso.”

Sobre a baixa representatividade feminina na política: “Quantas mulheres vão sentar nessa cadeira para tu entrevistares. Só eu sentarei. Nós tivemos uma diminuição da participação de mulheres, 25% a menos de mulheres candidatas à deputada federal. E não tenho a menor dúvida que isso se deve em função à violência contra as mulheres que estão fazendo política. Isso é muito grave.”

Sobre querer disputar uma vaga ao Senado: “Acredito que devo ser senadora porque defendo a vida democrática nacional. Defendo que o Senado não pode ser lugar desse tipo de comportamento (violência política de gênero). O Senado não pode ser lugar de gente que não sabe se comportar, que não sabe respeitar quem pensa diferente.”

Sobre o combate ao feminicídio: “Há um esquema milionário que envolve o ódio às mulheres no ambiente digital e nas ruas e que é conectado com a diminuição de mulheres na política e com o aumento dos feminicídios. Ou seja, aqui no Estado não se aplica aquele discurso que alguns políticos tem de ‘é difícil enfrentar porque é um crime que acontece dentro da intimidade do lar’. Não é verdade.”

Sobre o combate às bets: “A gente conhece a história das bets. Lula passou a tributar, passam a pagar impostos. Acho que temos que avançar na proibição total de propaganda de bets e defendo a proibição das bets no Brasil” (...) “E a gente propôs uma solução chamada ‘Disque Recomeço’, para ajudar no combate. É um vício silencioso. As pessoas ligam o chuveiro e jogam.”

Neste momento de embates, como defender projetos no Senado, caso eleita: “Sei dialogar, sei construir, sei mediar posições. Sou a quarta filha de uma família de cinco. Na minha família, a lição número 1 era: ‘Quem não tem aliados, fique isolado’. Nada pode ser pior que isso”. (...) “Eu acredito no diálogo, acredito na necessidade de nós construirmos mediações políticas e acho que o Senado é o espaço para isso. Lugar de gente comprometida”.

Sobre os embates no STF: “Apesar da extrema direita tentar transformar a eleição do Senado numa eleição de um assunto só. Não que eu não ache que não seja importante debater todos os poderes. Como eu costumo dizer, nenhum brasileiro, ministro do Supremo, deputado ou vereador de cidade do interior, ninguém pode estar acima da lei. Ninguém, nem uma única pessoa pode estar acima da lei. É para isso que a lei existe.”

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