Eleições

Especial: Milton Cardoso quer romper com o sistema

Candidato do PSDB ao Senado também defende mudanças no regimento interno

Milton Cardoso faz críticas ao atual contexto político nacional
Milton Cardoso faz críticas ao atual contexto político nacional Foto : Mauro Schaefer

Com mais de 43 anos de experiência na cobertura jornalística da política, Milton Cardoso foi um dos últimos nomes confirmados na disputa ao Senado pelo RS. Ele apresenta a sua candidatura com posições firmes contra o atual modelo de político. “Nós estamos vivendo um momento de degradação total. E eu estou me colocando à disposição do povo gaúcho no sentido de ir para o Senado recuperar o RS para voltar a ser grande novamente.”

Recém-filiado ao PSDB, Cardoso ressaltou que a escolha foi natural pela ligação com o ex-governador paulista, Mário Covas. Apesar do encolhimento da sigla, ele também ressaltou que optou por fazer uma campanha sem uso de recursos eleitorais públicos. “Eu não aceito um centavo de dinheiro público”, afirmou.

Uma das bandeiras defendidas é uma atuação mais firme do Senado em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Os 54 novos senadores que chegarem ao Senado precisam urgentemente resgatar o papel do Senado, exigir o cumprimento da Constituição e limpar o STF”, ressaltou.

Cardoso é o quinto entrevistado da série especial que o Correio do Povo realiza com os candidatos ao Senado.

Veja o especial com oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul

As próximas serão publicadas nos dias 21, com Paulo Pimenta (PT); 22, com Renato Jaguarão (Cidadania); e 23, com Ubiratan Sanderson (PL). Já foram entrevistados Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d'Ávila (PSol) e Marcel van Hattem (Novo).

Principais trechos

Sobre a decisão de disputar uma vaga ao Senado: “O processo de degradação na política está tão grande. Passei 15 anos da minha vida convivendo com grandes nomes da política brasileira, homens dignos que representaram muito bem o Estado. Nós estamos vivendo um momento de degradação total e eu decidi contribuir.”

Sobre sua ligação com o PSDB: “Eu vi o PSDB nascer. O meu ingresso no PSDB foi pela minha ligação ao Mário Covas. Se o Mário Covas (ex-governador de SP) tivesse sido presidente da República, eu teria sido o porta-voz dele. Era uma relação diária muito próxima, aprendi muito com ele.”

Sobre recusar o uso de recursos públicos em sua campanha: “Eu abri mão de cerca de R$ 4 milhões do fundo eleitoral para a campanha majoritária. Não aceito um centavo de dinheiro público. Estou trabalhando exclusivamente com apoiadores, simpatizantes, empresários, pessoas que querem mudar o quadro político. Eu pago a minha gasolina, pago a minha alimentação e pago a minha hospedagem. Os deputados federais viajam com carro alugado, gasolina, hospedagem, alimentação, assessores. Tudo na nossa conta. A diferença é essa.”

Sobre reformas e atuação em relação ao STF: “Os 54 novos senadores que chegarem ao Senado da República precisam urgentemente resgatar o papel do Senado, exigir o cumprimento da Constituição, limpar o STF. Farei o primeiro movimento para tirar de dentro do STF o Alexandre de Moraes, o Gilmar Mendes e o Dias Toffoli.”

Sobre mudar as regras internas do Congresso: “Você tem que chegar no Senado e tirar todo o poder do presidente do Senado da República. O presidente tem que ser gestor administrativo e financeiro da Casa. Decisões de colocar impeachment em pauta ou instalar CPI/CPMI devem ser do colegiado. Então, o primeiro passo é mudar o regimento interno do Senado.”

Sobre o fim do fundo partidário e candidaturas independentes: “Você tem que ter partido político, só que não pode ter dinheiro público. E nós somos o único país dos 20 principais do planeta que não permite candidatura independente. Quer montar um partido? Organiza, mas se sustente com simpatizantes, sem verba pública.”

Sobre a situação do Rio Grande do Sul e a dívida: “O Rio Grande do Sul perdeu representatividade política. Você tem que criar aqui uma posição para manter a suspensão dessa dívida e criar um fundo específico para atração de novos investimentos, além de uma zona franca como Manaus tem.”

Sobre a política de coalizão para aprovar projetos no Congresso: “A minha ideia para reduzir o presidencialismo de coalizão é ‘você escolhe o presidente e, dois meses depois, vai às urnas escolher deputados e senadores’. A sociedade decide se quer dar maioria ao Executivo ou não. Hoje o presidente precisa lotear o governo para conseguir governar.”

Sobre sua meta no mandato e não fazer carreira política: “Não quero reeleição, não quero carreira política. Para você romper com o sistema, tem que estar fora dele: entra dentro do sistema, rompe, explode o sistema e cai fora.”

Sobre o custo e privilégios do Congresso Nacional: “Sabe quanto custa um senador da República por mês? R$ 687 mil. Tem senador com 92 funcionários e plano internacional de saúde vitalício. Nós somos o segundo parlamento mais caro e mais corrupto do planeta, só perdemos para o Haiti.”

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