Eleições

Especial: Renato Jaguarão defende nova gestão na dívida do RS

Candidato do Cidadania estreia na política querendo ser a ‘voz dos gaúchos’

Jaguarão quer concorrer para mostrar outro lado da política
Jaguarão quer concorrer para mostrar outro lado da política Foto : Camila Cunha

Filiado ao Cidadania, Renato Jaguarão aposta na sua história pessoal de origem simples e na atuação comunitária sem mandatos prévios para pleitear uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul. “Acredito que qualquer cidadão tem que ter espaço na política. Então, eu aceitei para dar esse recado”, comentou.

Sem mandatos anteriores, mas com a experiência de quem percorreu o Estado como assessor e também pelos caminhos abertos pela música, o candidato destaca seu trabalho partidário ao lado da deputada Any Ortiz, marcado pelo combate a privilégios como o fim da pensão vitalícia a ex-governadores no RS, como experiência.

Como candidato defende a discussão de um novo pacto federativo, para distribuição de recursos entre os estados. Outra bandeira é a defesa pela rediscussão da dívida do Rio Grande do Sul com a União, que no momento está suspensa, mas deverá voltar a ser paga no próximo ano. “Hoje nós não temos condições nenhuma de voltar a pagar a União e fazer a reconstrução (do RS). O dinheiro que está aí não é suficiente para fazer tudo o que a gente tem que fazer”, enfatizou.

Jaguarão é o penúltimo entrevistado da série especial que o Correio do Povo realiza com os candidatos ao Senado.

Veja o especial com oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul

A última será publicada no dia 23, com Ubiratan Sanderson (PL). Ao todo, foram entrevistados Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d’Ávila (PSol), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB) e Paulo Pimenta (PT).

Principais Trechos

Sobre a motivação para disputar o Senado: “Decidi concorrer para mostrar a milhões de gaúchas e gaúchos de origem simples que pessoas como nós, que fazem parte de 80% da população, também têm o direito e o dever de ocupar espaços importantes na política.”

Sobre a revisão do Pacto Federativo: “A cada R$ 100 que o Estado manda para a União, ou que a União toma do Rio Grande do Sul, ela devolve R$ 19. Pegar a estados, por exemplo, como Maranhão, como Acre, a cada R$ 100 que a União toma deles, devolve R$ 200. Resumindo, o pacto que foi criado em 1988, como uma forma de levar igualdade a todos os estados, uma distribuição mais justa de renda para os estados, acabou ao longo dos anos sendo uma injustiça com o Rio Grande do Sul.”

Sobre a repactuação da dívida do Estado: “Tenho a plena convicção que hoje nós não temos condições nenhuma de voltar a pagar a União e fazer a reconstrução. O dinheiro que está aí não é suficiente para fazer tudo o que a gente tem que fazer no governo do RS. Para ajustar todas as perdas que tivemos. E eu estou falando de pessoas, de vidas, de empresários. Nós tivemos um baque muito grande.”

Sobre um fundo regional para os estados do Sul: “Como existe já no Nordeste e em outras regiões. Agora, veja bem, nós teremos 12 senadores, se pegar São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Podemos pegar um pouquinho do Mato Grosso, Goiás, talvez um pouco. O Nordeste tem uma gama enorme de senadores. Qual a grande diferença? O Nordeste se une nessas pautas.”

Sobre a polarização ideológica no Congresso: “Eu acho que o povo gaúcho tem que entender o seguinte, quem é que vai falar pelo Rio Grande do Sul? Quem é que tá preocupado com as pessoas do Rio Grande do Sul? Com os 497 municípios? Não é com a ideologia não com partido, não com quem vota na direita e na esquerda. Quem é que está preocupado nas questões do Rio Grande? Quem é que está preocupado em defender o povo gaúcho? É isso que o eleitor tem que pensar nesse momento, senão ele vai levar uma briga (direita e esquerda) para dentro do Senado que não vai ajudar absolutamente nada o nosso Estado.”

Sobre o combate aos privilégios na gestão pública: “Trabalhei ao lado da deputada federal Any Ortiz para acabar com a pensão vitalícia de ex-governadores no Estado, economizando recursos públicos. No Senado, vou continuar essa postura firme de combate a desperdícios e super-salários.”

Sobre a proposta da 'Zona Franca do Pampa': “Eu tenho chamado de zona franca do Pampa que é um modelo de isenção. O que nos proporciona pelo menos 20 e 30 anos para que a gente possa trabalhar sem uma carga tributária enorme, para que possamos ser mais competitivos também. Atrair indústria para aquela região, gerar emprego.”

Sobre a Reforma Tributária: “A simplificação com o IVA é positiva, mas a alíquota proposta para o Brasil, que pode chegar a 33%, é abusiva. Precisamos ter cuidado no Senado para não sufocar o varejo e o comércio com mecanismos de arrecadação instantânea que retiram o fluxo de caixa das empresas.”

O uso do chapéu: “Na verdade o chapéu vem da minha atividade artística. Primeiro CD que eu lancei, em 2008, eu estava de chapéu. As minhas apresentações em público são com chapéu. É uma forma de me ligar com as tradições.”

Veja a entrevista na íntegra:

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