Eduardo Zanotti e João Streb
As lideranças partidárias de PDT e PT veem a visita do presidente Lula (PT) como um momento de virada da campanha de Juliana Brizola (PDT) para o governo do estado. Lula cumpre agenda no RS nesta sexta-feira (11), com visitas previstas em Viamão e Porto Alegre.
Na primeira parada, o presidente visitará o campus do Instituto Federal do Rio Grande do Sul de Viamão, IFRS TecnoParque, que teve a sede própria inaugurada em maio deste ano. Ainda em Viamão, Lula deve assinar o contrato que concede um espaço de 412 mil m² no Porto de Rio Grande para a empresa CMPC Celulose, com valor de retribuição anual de R$ 2,14 milhões.
Em seguida, parte para um comício no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, próximo às 19h.
Expectativas da visita
A perspectiva pelo lado Pedetista da coligação “Frente Ampla” – que inclui PDT, PT, Psol, Rede, PCdoB, PV e PSB – é de que a visita de Lula possa alavancar a campanha de Juliana Brizola na disputa pelo governo do RS. “Queríamos ele aqui antes, mas o tempo não tem cooperado. A participação dele aqui pode fazer a campanha se consolidar ainda mais e chegarmos com mais tranquilidade ao segundo turno”, apontou Vieira da Cunha (PDT), primeiro suplente de Paulo Pimenta (PT) na disputa do senado e coordenador de campanha de Juliana.
Edegar Pretto (PT), vice da chapa, vê a visita como forma de propulsão a campanha na reta final do primeiro turno. “A presença do presidente aqui vai marcar o novo momento da campanha, visto que o PT tem esse costume de surpreender na reta final, crescendo nos últimos dias antes da eleição”, indicou Pretto. O candidato também indicou como a dinâmica deve seguir ao longo do restante da campanha. “Vamos nos dividir em campanhas. Chegar um ponto que não conseguimos seguir nas mesmas agendas, então a ideia é nos dividirmos. Pimenta e Manuela, cada um em uma região. A mesma coisa comigo e com a Juliana. Esse fim de semana, por exemplo, ela vai para a região das missões, enquanto eu vou para o norte do estado”, indicou o candidato.
As lideranças partidárias querem lotar o Largo Glênio Peres, que tem capacidade próxima de 8 mil pessoas, mas assume que a possibilidade de chuva pode diminuir a adesão popular.
Comitiva
Durante a primeira visita, Lula estará acompanhado do Ministro da Educação, Leonardo Barchini, e da esposa, Janja da Silva. Como essa parte da agenda é institucional, existem restrições da participação de candidatos durante o período eleitoral. No caso da majoritária da coligação, somente Pimenta, que tem mandato como deputado federal, poderá comparecer à agenda, ainda que sem discursar. Juliana e Pretto não podem participar da ação por não estarem em cargos eletivos neste mandato. A mesma situação afeta Manuela D’Ávila (Psol), que disputa o Senado. A norma eleitoral não veta a participação de candidatos à reeleição.
Na segunda etapa, a comitiva aumenta. Pela ala pedetista da coligação, o palco deve receber discursos de Romildo Bolzan, presidente estadual da sigla, Vieira da Cunha, Juliana Brizola e Carlos Lupi, presidente nacional do PDT. Entre os petistas, devem estar os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro. Além de Manuela e Pimenta, também devem estar junto às lideranças dos demais partidos que compõem a coligação.
Vieira da Cunha também reforça a adesão do PDT na campanha de Lula, mesmo após uma certa resistência de alguns nomes do partido. “Esse momento, para nós, é uma página virada. Todos estão engajados tanto com a Juliana quanto com o Lula”, comentou.
A passagem pelo estado ocorre em um momento de crise institucional em Brasília, através das quebras de sigilo no Caso Banco Master, em especial pelas trocas de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O Procurador Geral da República, Paulo Gonet, também teria contatado Vorcaro através de um intermediário.
