Eleições

Marcelo Maranata: Empreendedorismo e política que andam juntos na vida

Candidato do PSDB entende que trabalho e família são as principais palavras que o definem

Maranata destaca que sua história está ligada desde a infância à vontade de empreender
Maranata destaca que sua história está ligada desde a infância à vontade de empreender Foto : Mauro Schaefer

Trabalho e família. São as duas palavras que Marcelo Maranata escolhe quando lhe perguntam se consegue apontar o que define a sua vida. São os dois, segundo o candidato do PSDB ao governo do Estado, que marcam sua trajetória, balizam seu comportamento e norteiam seu futuro. Mas tem mais. É impossível dissociar também a religiosidade, a fé na superação e o papel do empreendedorismo da sua história.

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Marcelo Soares Reinaldo nasceu em 25 de maio de 1976 e a expressão Maranata (“vem, Senhor” em aramaico) foi adotada devido à forte influência da religião na família. “Somos adventistas. Por isso, por exemplo, nunca abrimos nossas lojas aos sábados. E no domingo trabalhamos. Mesmo sem abrir aos sábados, o melhor dia para o varejo, presidi duas vezes o Sindilojas e duas vezes o CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

O foco no empreendedorismo definiu até o local escolhido pelo ex-prefeito de Guaíba para conversar com o Correio do Povo: o burburinho das dezenas de pontos de comércio e serviços do Mercado Público de Porto Alegre. Maranata não se cansa de contar o quanto empreendeu desde a infância, e de como seu trabalho rendeu frutos. Ele nasceu no município de Camaquã, onde o pai, hoje com 80 anos, se mantém ativo à frente da própria barbearia. E onde os negócios da família na cidade atualmente incluem também uma papelaria (a mãe, de 76 anos, comanda o caixa) e uma imobiliária. Foi engraxate e entregador de jornal.

Do pai, que ensinou os três filhos a pedalarem, e do veículo utilizado no trabalho como entregador, herdou a paixão por bicicletas e pelo ciclismo. Mesmo que, entre a agenda atribulada pré-eleição e o clima instável, por ora esteja afastado das bikes. O pouco tempo livre que tem, vem usando para manter treinos curtos diários na academia (menos aos sábados).

Já conhecia a esposa, Deisi, quando, no final do Ensino Médio, ambos participaram de um simulado de tribunal do júri em uma aula. “Era baseado em um livro, e a gente tinha que encontrar um final diferente. Cada um fazia um papel. Eu assumi a promotoria. Na verdade, não consegui ganhar, mas peguei gosto naquilo e a Deisi também.”

Candidato destaca o ímpeto pelo empreendedorismo desde cedo | Foto: Mauro Schaefer

A vontade de “ganhar dinheiro” e cursar a faculdade de Direito levaram Maranata a deixar a entrega de jornais e pedir emprego na padaria de um tio, que o incentivou a insistir no sonho do curso superior. “Eu sabia que o pai não tinha dinheiro para pagar. O dia em que fui falar com ele foi difícil. Estava com o cabelo cortado, mas sentei na cadeira de barbeiro, fiquei em silêncio. O pai falou: ‘O que tu quer?’ Eu contei que queria fazer a faculdade. O pai disse que iria me ajudar a pagar o curso, mas que o resto era comigo. E que, primeiro, era para eu passar. Nós passamos, eu e a Deisi. E aí escolhi Guaíba, porque podia fazer o curso no campus de lá.”

Na época, um dos irmãos de Maranata já tinha livraria. Ele conta que, em Guaíba, alugou um lugar com telhado ruim e calha vazando. Com a ajuda da família, comprou uma caminhonete batida para transportar materiais, e não gastava com apartamento, porque, quando voltava da faculdade à noite, dormia na loja.

No início, a namorada permaneceu em Camaquã, indo e voltando das aulas todos os dias. Em 1999 eles se casaram e aí alugaram uma casa. “Era pequeninha, ficamos lá dois anos. Depois fomos para outra, um pouco maior, e a coisa foi andando. Minha avó emprestou dinheiro, meu irmão. Minha cunhada emprestou saco de arroz, o pai tinha um consórcio. Da união com Deisi, nasceram Marcelly, Marjorie e Davi. Hoje, além dos negócios em Camaquã, a família administra, em Guaíba, uma livraria, uma loja de bolsas e outra de móveis. A clínica de fisioterapia de um dos irmãos fica na mesma galeria. E Maranata mora no mesmo prédio.

E a política, entrou como no meio de tantas iniciativas empresariais?

“Nunca estive longe. Na igreja, fui líder dos jovens. Fundei oito unidades do Clube dos Desbravadores. Presidi o grêmio estudantil nos dois colégios em que estudei. Fui presidente do centro acadêmico do Direito duas vezes. Depois, presidi as entidades empresariais. Toda a política é semelhante. O importante é fazer com que todo mundo acredite no projeto e se entusiasme”

Na prática, o ingresso na política partidária aconteceu quando entidades empresariais de Guaíba colocaram em curso uma estratégia para fazer andar suas demandas. “Precisávamos do apoio da prefeitura, participávamos de todos os conselhos, mas as coisas não andavam, tudo parecia que tinha uma barreira. Foi quando tomamos a iniciativa de cada um se filiar em um partido. No meu caso, tinha um professor da faculdade que era do PDT, meu vizinho era presidente do partido, e vereador. E eu fui. Naquele ano, elegemos três vereadores do varejo, colocamos dois secretários. Eu acabei vice-prefeito.”

A primeira eleição, para vice em Guaíba, aconteceu em 2008. Ele tentou a prefeitura no pleito seguinte, em 2012, e ainda em 2016, sem sucesso. Mas, em 2020, se elegeu prefeito, reeleito em 2024. Convicto na ideia de disputar o governo estadual, deixou o PDT no ano passado, e precisou renunciar ao cargo para entrar na corrida atual.

Como ninguém vive só de trabalho, além da paixão pelas bicicletas, o tucano também gosta de acampar, declamar poesias, cantar, ouvir músicas gauchescas e as de estilo gospel. Enquanto ele adora “mato” e banho de cachoeira, a família prefere praia. Então, é feita uma negociação, e todos rumam para praias menos movimentadas, onde Maranata possa fazer trilha. “Se eu pudesse, trocava 15 dias de praia por um final de semana no meio do mato”, resume. Os filmes, prefere os de drama. E, os livros, aqueles que possam lhe dar mais ensinamentos sobre os negócios. Mas não acompanha mais séries. “Não vejo já há uns três anos. Porque o negócio fica te prendendo ali, perdendo tempo, não dá.”

Da época em que entregava jornal, traz o hábito de acordar cedo, sempre entre 4h30min e 5h. “É o relógio biológico”, justifica. E dorme pouco, em média cinco horas. Mesmo assim, agora, reclama que tem encontrado pouco a esposa. Porque, nesta eleição, ela também concorre, só que a uma vaga na Assembleia Legislativa. Não precisava nem contar, mas é eleitor declarado de Augusto Cury (Avante) na disputa presidencial. E, como integrante do grupo Guardiões da Chama Crioula, vai desfilar no 20 de Setembro. Sim, para Marcelo Maranata, não importa quantas vezes você caia, o importante é saber que sempre dá para levantar.

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