Eleições

“O empregador tem que assegurar que o ambiente seja seguro”, diz juíza Mariana Lerina

Em entrevista ao Correio do Povo, a juíza auxiliar da Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região comentou sobre assédio eleitoral

Juíza do Trabalho destacou caminhos para combater o assédio eleitoral
Juíza do Trabalho destacou caminhos para combater o assédio eleitoral Foto : Reprodução/CP

“O uso da estrutura da empresa com a finalidade de interferir, ou mesmo simplesmente constranger a pessoa na escolha do voto, pode configurar abuso do poder econômico”, afirmou a juíza auxiliar da Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), Mariana Lerina, em entrevista ao podcast Matriz, do Correio do Povo.

Entre 2023 e 2025, o Rio Grande do Sul foi o terceiro estado que acumulou mais denúncias de assédio eleitoral. Ao todo, foram 77 denúncias acolhidas pelo Tribunal.

“Assédio eleitoral é basicamente o constrangimento, a ameaça ou o oferecimento de algum tipo de favorecimento que interfira na escolha do candidato ou dos candidatos por aquela pessoa que vai votar”, explica a juíza do Trabalho. "Pode ser uma infração de caráter eleitoral, assim como é uma infração também de caráter trabalhista e um tipo penal.”

Para Mariana, diante de qualquer suspeita de assédio eleitoral em ambiente de trabalho, os cidadão devem recorrer aos canais oferecidos pela Justiça do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), como a plataforma No Meu Voto Mando Eu e o Sistema de Coleta de Denúncias do MPT. Dentro da Justiça Eleitoral, há ainda o aplicativo Pardal, que funciona de forma anônima.

"O judiciário trabalha por provocação. Então é importante que a gente receba os casos para análise, para que a gente possa, então, combater essa prática que é tão nociva para o nosso Estado Democrático de Direito”, ressalta.

Para além do olhar atento do trabalhador, segundo Mariana, é necessário que as empresas revejam suas condutas. “O empregador, seja ele o dono do negócio ou algum gerente que tenha os poderes de mando dentro daquela determinada organização, tem que assegurar que o ambiente seja seguro a ponto de não haver nenhum tipo de interferência”, finaliza.

*Supervisão Thiago Padilha

Confira a entrevista completa no episódio inédito do podcast Matriz:

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