O Rio Grande do Sul é o estado com a maior parcela de eleitorado com mais de 70 anos. Conforme dados da Justiça Eleitoral, esse grupo representa 14,5% dos eleitores gaúchos, somando cerca de 1,2 milhão de votantes facultativos, com uma média de participação nos últimos pleitos que não chega a ultrapassar os 50%.
No entanto, é um percentual relevante, se for levado em consideração o primeiro turno da eleição ao governo do RS em 2022, quando Eduardo Leite (atualmente no PSD) ficou apenas 2441 votos à frente de Edegar Pretto (PT), colocando-o na disputa do segundo turno contra Onyx Lorenzoni (atualmente no PP).
Para além da possibilidade de não votar, a ausência da participação dos idosos acaba sendo uma questão multifatorial, que vai da dificuldade de acesso aos locais de votação ao desgaste com relação à política.
Existem políticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tornar os locais mais acessíveis ou auxiliar eleitores com dificuldades de locomoção, mas que nem sempre conseguem ser uniformes para todo o país. “Há os desafios de escala. Imagine um eleitor idoso indo votar de barco em um município do estado do Amazonas, é difícil acreditar que medidas do TSE estejam presentes em todo o país”, comenta Fábio Hoffmann, pesquisador e cientista político.
O especialista enfatiza que essas adequações fazem parte do direito constitucional ao voto, caso seja desejo do idoso. “O desafio das instituições eleitorais passa a ser transformar direitos previstos na legislação em condições efetivas de participação”, apontou.
No entanto, garantir a possibilidade de votar nem sempre é o suficiente. Bernardina “Dina” Resende, 71 anos, relata um desgaste com a política após votar por mais de cinco décadas. “Nós sabemos que o ideal vai acabando com o tempo. Entra partido e sai partido, acaba sendo tudo a mesma coisa. Eu sou muito decepcionada com os políticos do Brasil”, comentou. Dina, porém, não descarta a possibilidade de votar em eventual segundo turno.
No caminho contrário, Regina Martins, 71 anos, não abdica de participar do processo eleitoral. “Vou votar e votarei enquanto estiver viva. Acompanho política desde que eu me conheço por gente, já que a política está em todas as decisões da nossa vida”, indicou a aposentada.
Além da civilidade e do desgaste
Hoffmann destaca que os idosos não são um recorte homogêneo. “O grupo está longe de ser monolítico. A polarização política e social também chegou neles”, indicou o especialista.
O cientista político também reforça a importância de tratar o grupo como diverso durante a construção da campanha, sem dar conta de abarcar a pluralidade de demandas e desejos que os idosos têm. “Entender isso é ir além de classificá-los como conservadores, pouco informados ou exclusivamente preocupados com discursos sobre aposentadoria e saúde", apontou.
Outro aspecto trazido por Hoffmann é a utilização da mesma linguagem nos materiais de campanha em diversas plataformas de mídia. Do ponto de vista estratégico, o especialista defende que os conteúdos sejam ajustados conforme o canal de divulgação, em especial quando se trata de redes sociais. “Comunicação eficaz significa reconhecer necessidades específicas sem transformar a idade em uma identidade política presumida”, ponderou.
Acessibilidade
Além de possibilitar a consulta do local de votação, emissão de certidão de débito eleitoral e exibição do título eleitoral digital, o aplicativo do e-titulo, desenvolvido pelo TSE, também dispõe de recursos de acessibilidade. O app é compatível com ferramentas de leitura de tela, usadas por pessoas com baixa visão ou dificuldades de leitura. Também dentro da qualidade de visualização, é possível configurar o tamanho da fonte do aplicativo e a configuração de alto contraste da tela.
Ainda que houvesse necessidade de solicitação prévia para alguns recursos de acessibilidade, como a solicitação de transporte em casos de dificuldades de mobilidade, existem alguns auxílios e priorizações que podem ser solicitadas no dia. Para os eleitores 70+ com mobilidade reduzida, é possível ir com uma pessoa para auxiliar durante a votação, ainda que a pessoa não vote naquela seção ou que não tenha sido solicitada anteriormente à justiça eleitoral.
Vale destacar também que pessoas com 80 anos ou mais são prioridade absoluta na fila para votação.
